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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Acesso aos Cuidados de Saúde

Reproduzo nestas linhas um instantâneo (radiografia) do nosso País, para que reflitamos sobre a sorte que (ainda...) temos aqui nas nossas terras:

É preciso levantar cedo e apanhar a camioneta. É preciso viajar uma hora e meia até Odemira. E depois é preciso subir o morro devagarinho, já que o centro de saúde se encontra bem lá no alto e é onde funciona o serviço de urgência. De outra maneira, Maria Helena Gonçalves, de 62 anos, residente em S. Martinho das Amoreiras, pequena localidade nos arredores de Odemira, não será observada pelo médico. É que lá não há centro de saúde, só há médico de oito em oito dias, às quintas-feiras, quando vai dar consulta num lar de idosos, em São Teotónio. Quem quiser aproveitar, tem é de pagar. Mas hoje não é quinta-feira. E Helena sente-se doente.

Na sala de espera do serviço de urgência do Centro de Saúde de Odemira, aguarda pela sua vez de ser atendida. Mas à sua frente tem dois doentes mais urgentes, um com suspeita de enfarte, outro com suspeita de AVC. Os dois médicos de serviço estão ocupados em estabilizá-los. Se perder a camioneta das 13h30 para regressar a casa, só voltará a ter transporte à noite, às 19h30. Maria Helena vive de uma reforma muito pequena, não tem dinheiro para pagar táxi e o seu caso não é suficientemente grave para chamar o INEM.

Longe do atendimento médico, sem dinheiro e sem transportes, assim vivem milhares de pessoas no interior do nosso Portugal.

O médico Denis Pizhin, natural da Crimeia, Ucrânia, está sozinho na urgência do Centro de Saúde de Odemira. O outro médico teve de acompanhar um doente em estado crítico até ao hospital de referência da zona, o de Santiago do Cacém, a cerca de 80 quilómetros de distância.

Denis Pizhin, de 31 anos, veio da Crimeia em 2008, logo depois de se licenciar em Medicina. O estágio, já o fez cá. Hoje, é um médico "prestador de serviços", contratado através de empresas que angariam clínicos para os hospitais e, em troca, recebem percentagens. Por hora, ganha 24 euros brutos, cerca de 15 euros líquidos, diz, com um sorriso crítico. "Quase o mesmo que uma empregada doméstica". Por dia, vê cerca de 60, 70 pessoas, a maioria com situações ligeiras, conta. Os casos mais graves, cerca de 30 por cento, calcula, vão de crises asmáticas a enfartes, que têm de seguir para o hospital de Santiago do Cacém ou para o de Beja.

Desde que veio para Portugal, Denis já aprendeu muito profissionalmente, mas também já viu muito. Já trabalhou na urgência de várias unidades de saúde no interior do Alentejo. Em Beja, onde atualmente só há "consulta aberta". Em Ferreira do Alentejo, que "já nem consulta aberta tem", em Moura. Agora, além de Odemira, presta serviço em Ponte de Sor e no distrito da Guarda.

Na urgência de Odemira, "há duas semanas que não há soro" habitualmente usado nos hospitais. "Temos de nos desenrascar com outros tipos de soros", diz. "Há sempre falta de medicamentos essenciais", entre os quais medicamentos para evitar os vómitos ou reagentes laboratoriais, como, por exemplo, tropomina, fundamental no diagnóstico de enfarte.

"As populações destas localidades estão evidentemente em risco", afirma o médico. "Passar férias no litoral alentejano, pode ser perigoso". No Verão, "os lisboetas que precisam de ir à urgência, dizem muitas vezes que isto parece África".

À falta de transportes públicos, soma-se o mau estado das estradas, cheias de curvas e de buracos, por onde as ambulâncias têm muitas vezes de passar para ir buscar doentes, e que também têm de percorrer para os levar para o hospital.

A falta de uma comunicação eficaz entre os centros de saúde e os hospitais e a desarticulação entre os bombeiros e o INEM são apontadas por Denis como outros fatores que agravam ainda mais as dificuldades do acesso aos cuidados médicos nas zonas do interior do país. Muitas das situações revelam-se mesmo fatais, particularmente no caso de acidentes graves na estrada. Há casos de mortes que poderiam ter sido evitadas "se houvesse outra organização", diz o médico.

Como exemplo, conta o episódio que envolveu um homem, vítima de um desastre nos arredores de Odemira, que começou por ser transportado para a urgência do centro de saúde. Dali, foi transportado para Santiago do Cacém, onde foi decidido que, face à gravidade do seu estado, teria de ir para o Hospital de S. José, em Lisboa. Só lá chegou mais de oito horas após o acidente e acabou por morrer pouco tempo depois. Se tudo se tivesse processado mais rapidamente, o homem "poderia não ter morrido", afirma Denis.

Há outros casos recentes, como o de uma criança estrangeira de 22 meses que morreu no Centro de Saúde de Odemira depois de ter sido atropelada, em Agosto do ano passado. Deu ali entrada em paragem cardio-respiratória, quando lá se encontravam apenas um médico e um enfermeiro, um número de profissionais considerado "insuficiente" para prestar a assistência necessária, segundo o que então considerou a Ordem dos Enfermeiros.

Também o bastonário dos médicos, José Manuel Silva, manifestou então as suas preocupações, lembrando que, segundo a lei, a equipa de uma urgência básica deverá ter dois médicos e dois enfermeiros em presença física. É "inaceitável" - considerou - "a saída de um enfermeiro de uma forma rotineira e frequente, deixando a unidade com um elemento, número que fica abaixo dos mínimos aceitáveis".

Mas, passado quase um ano, a situação mantém-se: quando um dos enfermeiros tem de acompanhar um doente crítico, fica apenas um enfermeiro no centro.

As crescentes dificuldades de aceder aos cuidados de saúde com que se debatem muitas pessoas, sobretudo idosas que vivem em localidades do interior, é testemunhada por Pedro Rabaça, de 44 anos, enfermeiro no hospital de Portalegre que também presta serviço no INEM. Este profissional vai buscar pessoas que vivem "no fim do mundo, longe de tudo, do poder de decisão, dos técnicos". Em zonas onde "faltam especialidades médicas, meios de diagnóstico, onde não há médicos de família, não há urgências e faltam enfermeiros".

Os efeitos da redução dos transportes de doentes financiados pelo Estado já são notórios. Face a uma situação de urgência, as pessoas que vivem em "povoações muito isoladas" e cujas reformas "mal dão para comer" ou conseguem uma boleia, ou alugam um táxi ou ficam à espera de piorar para que o INEM aceite ir buscá-las sem terem de pagar, conta Pedro Rabaça. A situação é tão preocupante, diz este enfermeiro que "há idosos que estão a trocar medicamentos por produtos básicos".

Este é uma realidade do nosso interior que nos deve fazer pensar.

Seremos um pais solidário com quem precisa?

Ainda teremos alguma sorte, pois na nossa região temos um melhor acesso aos cuidados de saúde….. Para já…



Uma Santa Páscoa a todos os leitores

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Confusão do Ministério da Saúde

Os indicadores de saúde desde a criação do SNS subiram para um patamar que coloca o nosso sistema de saúde a par dos países desenvolvidos. É um facto inegável!.

Vejam o caso da taxa de mortalidade neonatal, os dados das doenças infecciosas, da Tuberculose ou mais recentemente do VIH/sida. Todos estes resultados, incluindo uma maior esperança de vida, foram obtidos `a custa do aumento da actividade, consultas externas, MCDT, etc; bem como da qualidade.

Se os indicadores melhoraram, os custos também cresceram. As pessoas perguntarão se chegámos ao fim do sonho. Designadamente o da construção de um sistema com acesso universal, equidade e tendência progressiva para a melhoria qualitativa?

Estamos, ou não, no limiar de termos de decidir quem acede aos cuidados? Esta limitação de acesso, particularmente nos casos de terapêuticas ou metodologias diagnósticas de custo muito elevado, é inevitável? Se sim, quando é que vai ser introduzida? Com que critérios? E, sobretudo, quem a determina?

A despesa da Saúde prevista no OE/2012 é de 8.157 mil milhões para uma dotação de 7.957 mil milhões. O ministro da saúde admite, assim, "à partida", um défice de 200 milhões de euros.

O corte do financiamento da saúde, as medidas previstas para o início do próximo ano como o aumento das taxas moderadoras (para o dobro), corte da comparticipação dos medicamentos, MCDTS e transporte de doentes, determinarão uma alteração brutal das condições de acesso aos cuidados de saúde.

O presidente da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), Carvalho das Neves, afirmou que os hospitais com estatuto de Entidade Pública Empresarial (EPE) são um “saco azul”. O responsável máximo do organismo que gere os dinheiros da saúde, que falava numa conferência sobre os desafios no financiamento hospitalar, organizada pelo Diário Económico, começou por lembrar que estas unidades, do ponto de vista da contabilidade pública, deixaram de contar para o Orçamento do Estado, mas o buraco cresceu significativamente. Até Setembro deste ano, o défice já era de 209,4 milhões de euros, disse.
O presidente da ACSS frisou que o país agora tem “novos patrões” e que para a troika “os EPE são um descalabro” e por isso “devem passar para o Sector Público Administrativo (SPA)”. Esta é a novidade que nos está a ser colocada. Vamos ter um ano para pôr as contas em ordem, caso contrário a troika vai exigir que regressem para o SPA”, revelou Carvalho das Neves, salientando que o financiamento dos [nove] hospitais que ainda estão no SPA vai ser assegurado directamente pelas Finanças e não pela Saúde.

O presidente da ACSS admitiu ainda que, ao contrário do que já acontece com a monitorização mensal de todas as unidades do SNS, em relação aos hospitais em modelo de Parceria Público Privada (PPP) “não há informação porque o contrato não prevê a sua divulgação pública”. Carvalho das Neves afirmou ainda que em 2012 “põe-se um desafio que já se tinha colocado antes”, mas que não foi assumido: “Não existe plano para a redução da oferta” com a abertura de unidades na região de Lisboa, como o novo de Loures, cuja inauguração está prevista para Janeiro. O responsável defendeu também que “em tempos de crise devem restringir-se os incentivos à produção dos hospitais.”

Mas o grupo para a reforma hospitalar preconiza a passagem dos hospitais que restam em modelo SPA para EPE; o actual presidente da ACSS diz que os hospitais EPE são um “saco azul” que devem, em concordância com a troika, voltar ao sector público administrativo.

Ficamos a saber que boas contas serão exigidas apenas aos hospitais com gestão pública, empresarial ou não, as PPP estão dispensadas de monitorização mensal por força de disposições contratuais (por certo os tais lapsos que permitiram o descalabro do ex Amadora-Sintra).

O grupo liderado por Mendes Ribeiro defende a liberdade de escolha dos utentes, com concorrência entre hospitais do SNS e incentivos aos que tiverem melhor prestação, Carvalho das Neves quer desincentivar restringindo a produção hospitalar.

Como vai este pessoal entender-se? Será para um lado? Ou para o outro afinal? Não seria mais correcto titular a reforma hospitalar:

“A confusão do Ministério no centro do sistema, doentes e profissionais a apanhar bonés”?

in Tribuna Pacense a 09.12.2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa

O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa está a comemorar o 10º aniversário do Hospital Padre Américo, em Penafiel, com um ciclo de debates. No último a 20 de Outubro, sobre “A Saúde na Região do Tâmega e Sousa”, Carlos Guimarães, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Tâmega defendeu a criação de uma Unidade Local de Saúde (ULS) na região. “Com uma ULS deste tipo estávamos dentro do número mágico europeu, os 500 mil habitantes”, defendeu o clínico, que encontra neste modelo a melhor forma de organização dos cuidados de saúde no sentido de garantir uma maior cobertura às populações abrangidas.


A sugestão foi bem acolhida pela grande maioria dos parceiros de debate, onde se incluíam profissionais da área dos Cuidados de Saúde Primários e Hospitalares.

Admitindo que mais de um quarto da população abrangida por aquele ACES não tem ainda médico de família, Carlos Guimarães lamentava também a falta de psicólogos nos quadros de pessoal daquela instituição, uma realidade que não é muito diferente da do ACES Norte, que abrange os concelhos de Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras, onde a população a descoberto é de cerca de 25 por cento.

Será este o início de um novo modelo de cuidados para a nossa região, um modelo integrado, onde Centros de Saúde, USF e Hospitais centram a sua ação no doente? Ou manteremos o jogo do empurra entre cuidados primários e os hospitalares? Poderemos expectar uma Estratégia Local de Saúde para o Tâmega e Sousa que tente debelar o crónico problema da falta de médicos de família para as nossa populações? Será possível melhorar os nossos cuidados de saúde com tantos cortes e restrições anunciados?

A criação de uma Unidade Local de Saúde na região do Tâmega e Sousa permitiria obter importantes ganhos em saúde, ganhos de acessibilidade, ganhos de produtividade e integração efectiva de cuidados, pela via do fator escala e eficiência, como demonstram as seis ULS que estão implementadas pelo País.

Veremos o que os responsáveis da nossa região conseguirão.

in Tribuna Pacense a 11.11.2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Política em Zig Zag

A Ministra da Saúde Drª Ana Jorge esteve na passada terça feira (ontem, pois escrevo estas linhas na quarta de manhã) no Parlamento na Comissão de Saúde. E mais uma vez fica no ar a ideia de que não se fica com a verdade toda esclarecida, ou que parte dela é omitida. Apesar de todas as noticias em contrário, o saldo do SNS é negativo mas apenas de 212 milhões de euros!!! Segunda a Srª Ministra menos 37% do que em 2009, que se situava nos 327 milhões de euros. A oposição afirmou que esta equipe do ministério, ministra e dois secretários de estado, não têm credibilidade na apresentação das contas da Saúde. Não apresentou o montante do défice acumulado do SNS, que pelas contas da deputada popular Teresa Caeiro se cifrará nos 4,5 mil milhões de euros!

Um outro assunto na agenda desta reunião prendia-se com a reintegração no SNS de médicos que tinham pedido a aposentação. Numa primeira fase o Ministério não foi capaz de acautelar o impacto de medidas genéricas, aplicadas em toda a função pública, e viu impávido e serenamente saírem num ano 600 clínicos. Muita gente ficou sem médico de família, muitos hospitais sem especialistas. Teve de criar um regime de regresso excepcional mas que poucos resultados teve. Regressaram já 127 médicos e mais 60 candidaturas então a ser apreciadas. Cerca de 30 % dos 600 que saíram!! O número de Portugueses sem médico de família continua teimosamente nos 500 mil. Apesar do número crescente de USF, esta saída de médicos afectou principalmente a medicina geral e familiar, não será suficiente para cobrir estes portugueses que não antes de 2014-2015 terão cobertura de médico de família.

O encerramento do Hospital Pediátrico Dona Estefânia gerou muitas dúvidas aos deputados. Ana Jorge garantiu que as equipas e profissionais serão transferidos para nova unidade, que será integrado numa nova unidade a ser construída na zona oriental de Lisboa. Os serviços serão estanques com entradas independentes, alguns como a Imagiologia haverá partilha. A srª ministra fala, fala, mas ninguém acredita.

Outro assunto abordado foi o dos transportes dos doentes, que o ministério considerou abusiva em muitas situações, condicionando o acesso a esse tipo de comparticipação. Dando como exemplo alguém que vai fazer “fisioterapia” por causa de uma dor de costas, que não a impede de fazer a vida normalmente. Outra bem diferente é uma pessoa ter um AVC, uma incapacidade motora e precisar de um transporte especial. Ainda a srª ministra “... como sabem, muitas vezes as pessoas vão fazer esses transportes em carrinhas dos bombeiros e aproveitam e vão à vila às compras, por exemplo...”. Faltou alguém explicar á ministra que por vezes são pessoas idosas isoladas e que efectivamente não podem pagar um transporte privado, táxi, pois não existem transportes públicos alternativos, para se deslocarem para os seus tratamentos e consultas. Essas pessoas progressivamente não poderão “dar-se ao luxo” de ficarem doentes. Mas também nesta matéria a ministra referiu que está tudo na mesma pois o governo ainda não publicou a respectiva regulamentação.

Ou seja, se houver muita contestação nunca sairá do papel, caso a coisa passe despercebida lá se publicará a portaria. Bolinhos e chá!.

O Governo determinou que, a partir de 01 de Março, apenas serão comparticipados os medicamentos prescritos electrónicamente, o que obriga os operadores (públicos e privados) a disporem de um programa informático, devidamente certificado pelo Ministério da Saúde. Vamos ver se é desta que o MS se dá conta de que a melhor maneira de defender o SNS é pugnar pela sua eficiência, qualidade e transparência. Não existe nenhuma razão para que sempre que estiver em causa a utilização de dinheiro público não se utilizem, obrigatoriamente, sistemas electrónicos que permitam um controlo mais rigoroso das prescrições quer de medicamentos quer de meios complementares de diagnóstico. E porque não a partir de 01 de Junho de 2011 todos os prestadores convencionados e/ou contratantes com o SNS na qualidade de prestadores de serviços sejam obrigados a utilizar requisições e facturas estritamente em suporte digital. Se a esta medida se adicionarem pelo Centro de Conferências de Facturas do SNS ferramentas informáticas muitos milhões vão ser achados em áreas tão distintas como as análises clínicas, diálise, etc. Já para não falar no potencial de controlo da “qualidade” da prescrição de medicamentos nos cuidados de saúde.

Isto se entretanto não se alterar a aplicabilidade da medida de Março para Agosto e depois para Dezembro......

Várias medidas avulsas estão anunciadas, como sejam a criação de alguns centros hospitalares, mas desconhecem-se estudos de impacto destas medidas, no entanto, segundo a equipa da saúde, com estas alterações do atendimento "pretende-se fazer convergir a melhoria da prestação de cuidados de saúde, a universalidade do acesso e o aumento da eficiência dos serviços”. Para conseguir este pleno bastará "reduzir a estrutura orgânica, administrativa e funcional das unidades envolvidas e a introdução de mecanismos para uma organização integrada e conjunta que tornem a gestão mais eficiente”. Passados seis meses do prazo estipulado para a sua criação, a central de compras da saúde ainda não está no terreno. Os hospitais já começam a celebrar os contratos directamente com os seus fornecedores, nomeadamente com a indústria farmacêutica, sem recorrer aos serviços da central de compras, seja para comprar medicamentos ou material clínico. O novo acordo com as Misericórdias anunciado para Setembro, onde pára? Adiado.

Entretanto algumas Misericórdias já não sabem com o que esperar. Qual é o rumo? A venda de medicamentos em dose individual nas farmácias, prometida por Ana Jorge em Setembro para “dentro de semanas” e a avaliação dos administradores hospitalares, apontada como uma prioridade para 2010, são outras medidas que ainda não saíram do papel. Anunciar é fácil. Implementar é o cabo dos trabalhos. Principalmente quando se passa a maior parte do tempo distraída a assobiar para o ar. Daqui a algum tempo alguém vai ser acusado certamente do impasse. Simples, fácil, implementação instantânea, pronto a economizar. Era muito bom se assim fosse!.

O certo é que os Portugueses já pagam mais quando recorrem ao SNS, pois a taxas moderadoras foram aumentadas em Janeiro. Foi implementado um sistema de multa para os não pagadores, até 100 €. As taxas de várias vacinas e atestados em saúde pública, que pelos vistos desde a década de sessenta não eram actualizadas, foram-no. Um doente oncológico, por exemplo, que necessite de um atestado para efeitos de benefícios fiscais, pagava até agora 0,90 euros e vai passar a pagar 50 euros!!!.

Enfim, o que nos vale é que o nosso Serviço Nacional de Saúde é tendencialmente gratuito, senão nem imagino o que seria....

in Tribuna Pacense a 28.01.2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Alimentação saudável

A sabedoria popular diz que “você é o que come” e não poderia ser mais verdade. A comida que ingerimos tem um grande impacto na nossa saúde e bem-estar. Uma boa nutrição fornece ao organismo nutrientes para produzir ou reparar tecidos, manter o sistema imunitário saudável e permite ao corpo executar tarefas diárias com facilidade.

Os nossos estilos de vida e hábitos alimentares mudaram dramaticamente nas últimas décadas. Hoje em dia confiamos na conveniência da comida rápida ou “fast-food” e em suplementos nutricionais, do que propriamente alimentos frescos. De facto, existe muita atenção mediática virada para o que não devemos comer e pouca informação para o que devemos comer!

A Organização Mundial de Saúde(OMS) descreve como é que os principais factores de risco contribuem para os valores de mortalidade e morbilidade da maior parte dos países. No caso das doenças crónicas não transmissíveis, os factores de risco mais importantes incluem hipertensão, consumo de tabaco, consumo de bebidas alcoólicas, deficiência em ferro, colesterol sanguíneo elevado, consumo inadequado de frutos e hortícolas, inactividade física e o excesso de peso.

Hábitos alimentares pouco saudáveis e inactividade física, estão entre as principais causas para o aumento dos factores de risco acima referidos e para o aparecimento de doenças como obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2 e certos tipos de cancro, que contribuem substancialmente para as despesas globais com a saúde e para os valores de mortalidade.

Surge a roda dos alimentos como uma ilustração gráfica que pretende ajudar novos e graúdos, a escolher e a combinar os alimentos que deverão fazer parte de um dia alimentar saudável. O seu formato em forma de roda pode ser facilmente identificado e associado a um prato vulgarmente utilizado e, para além disso, não hierarquiza os alimentos. Utilizada desde 1977 como parte da campanha de Educação Alimentar “ Saber comer é saber viver”, a roda dos alimentos sofreu recentemente uma reestruturação motivada pela evolução dos conhecimentos científicos e pelas alterações nos hábitos alimentares portugueses.

È constituída por 7 grupos de alimentos, os quais foram agrupados de acordo com as suas semelhanças e características nutricionais, somando-se a água no centro. Estabelece as porções diárias recomendadas e equivalentes entre os alimentos. A proporção com que cada um deles deve estar presente na alimentação diária é a seguinte: cereais e derivados 28%; hortícolas 23%; fruta 20%; lacticínios 18%; carnes, pescado e ovos 5%; leguminosas 4%; gorduras e óleos 2%. Diariamente devem comer-se porções de todos os grupos de alimentos. O número de porções recomendado depende das necessidades energéticas individuais. As crianças de 1 a 3 anos devem guiar-se pelos limites inferiores e os homens activos e os rapazes adolescentes pelos limites superiores; a restante população deve orientar-se pelos valores intermédios.

A água não possuindo um grupo próprio, está representada em todos eles, pois faz parte da constituição de quase todos os alimentos. Sendo imprescindível à vida, é fundamental que se beba em abundância e diariamente (1,5 a 3L por dia).

Dentro de cada divisão estão reunidos alimentos nutricionalmente semelhantes entre si, para que possam ser regularmente substituídos, assegurando a variedade nutricional e alimentar.

Assenta em 3 regras fundamentais para a aquisição de uma alimentação saudável. A alimentação deve ser COMPLETA (ingerir ao longo do dia alimentos de todos os grupos), VARIADA (variar os alimentos ingeridos ao longo do dia), EQUILIBRADA (respeitando as porções diárias recomendadas e as quantidades de equivalentes indicados).

Ter hábitos alimentares saudáveis não significa fazer uma alimentação restritiva ou monótona, pelo contrário, um dos pilares fundamentais para uma alimentação saudável é a variedade. Quanto mais variada for a sua selecção alimentar, melhor! Diferentes alimentos contribuem com diferentes nutrientes o que potencialmente enriquece o dia alimentar de cada pessoa.

Ao optar por hábitos alimentares mais saudáveis não tem de abdicar daqueles alimentos menos saudáveis de que tanto gosta. O importante é que o consumo desses alimentos constitua excepção e não a regra do seu dia a dia alimentar.

Lembre-se, não existem na realidade, bons ou maus alimentos – moderação e equilíbrio na alimentação, são as chaves para se manter saudável! A comida deve ser apreciada – é possível comer refeições deliciosas e bem preparadas que são simultaneamente saudáveis.

Comer bem e de forma equilibrada é um dos melhores investimentos que pode fazer para a sua saúde. Invista em si e na sua alimentação.

 
in Tribuna Pacense a 14.01.2011

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

SNS para 2011

A falta de médicos e em especial dos clínicos de medicina geral e familiar condicionará, segundo o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde Dr. Manuel Pizarro, a reforma dos Cuidados de Saúde Primários, vulgo Centros de Saúde. Mas ainda segundo Manuel Pizarro, em 2011, não sabemos bem como, acelerar-se-á!

Com uma dívida de 500 milhões de euros ás costas e com um corte de 12% no orçamento global do Ministério da Saúde, que se cifrará acima da módica quantia de 1000 milhões de euros, continuaremos a acreditar nas palavras da Srª. Ministra da Saúde? Que seremos capazes de “fazer uma gestão diferente que permita levar a uma redução dos custos em determinadas áreas, sem pôr em causa a qualidade e os tratamentos...” ?? E até agora?

Os responsáveis dos vários hospitais e departamentos do ministério da saúde estiveram a atirar euros pela janela, cerca de 1000 milhões de euros por ano?? Sejamos claros e honestos, onde serão realizados os cortes? Que áreas serão sacrificadas? Que tratamentos ficarão por realizar? Quem ficará por ser tratado? Quais as prioridades? E quem assumira esse ónus?

2011 será sem dúvida um ano de viragem. Opções terão de ser feitas. Muitos especialistas consideram que não será possível continuar a oferecer tudo a todos e que os cidadãos terão que vir a pagar mais pela saúde, de forma a manter o Serviço Nacional de Saúde.

A inovação deverá, no actual contexto, ser a primeira vítima dos projectados cortes orçamentais. Nada existe mais dependente do investimento que a inovação (seja terapêutica ou em equipamentos). Só que o adiamento de investimentos em inovação tem profundos reflexos na qualidade das prestações. Reflexos esses que, em primeiro lugar, desmotivarão os profissionais e, depois, terão dramáticas consequências no que diz respeito a resultados. Estes constrangimentos na prestação de cuidados não poderão ser ocultados aos utentes por muito tempo.

O modelo de organização implementado nas USF continua a dar os seus frutos, pela via da contratualização, avaliação e atribuição de incentivos. Dada a falta de médicos de família, porque não atribuir algumas competências “preventivas” aos Enfermeiros. O estímulo que isto representaria, e a poupança em hora de trabalho médico, libertando-os para outras actividades. De que adianta saber mais sem tempo para o fazer. Milhares de enfermeiros saem de Portugal para outros países para exercerem a sua profissão, porque cá não têm essa oportunidade.

De acordo com o Health at a Glance – Europe 2010, o número médio de enfermeiros por mil habitantes nos países da União Europeia (UE) era, em 2008, de 9.8, sendo que em Portugal esse valor se situava em 5.7. Por outro lado, o rácio de enfermeiro por médico – que na UE se situa nos 2.6 enfermeiros por cada clínico, em Portugal é de 1.5, o sexto mais baixo dos países considerados pela OCDE.

No mesmo relatório é referido que o número de médicos em Portugal está acima da média da União Europeia (3.7 por mil habitantes contra a média de 3.3) e que devido ao tipo de cuidados prestados, o número de enfermeiros deve exceder, consideravelmente, o número de médicos. Todavia, em Portugal não existem sequer dois enfermeiros por cada clínico.
Falar de carência de médicos e não falar de carência de enfermeiros, acrescida da não rentabilização dos recursos disponíveis, é um efectivo sinal de desperdício. Um estudo recentemente formulado pela Ordem dos Enfermeiros junto de jovens que concluíram a sua licenciatura em 2007, 2008 e 2009 revela que:

  • Em Junho de 2010, 19% desses enfermeiros não estavam a exercer a actividade; Esta percentagem sobe para 29% se consideramos apenas os enfermeiros formados em 2009.
  • Houve um aumento considerável do hiato temporal que separa o final da formação académica da primeira experiência profissional: de três para seis meses. Num estudo idêntico realizado em 2009, 57% tinham conseguido emprego ao fim de 3 meses. Em 2010 foram 43%. Entre 6 meses e um ano, a percentagem passou de 14% para 24%.
  • A emigração de enfermeiros praticamente triplicou desde o estudo anterior (5% para 13%).
Tudo isto é algo que tem vindo a ser comprovado através de relatórios formulados por organismos, dos quais se destaca a publicação da OCDE acima referida, mas também o estudo do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) sobre Sustentabilidade e Competitividade na Saúde em Portugal.
Porque não promover mecanismos de educação para a saúde, de modo a diminuir falsas urgências nos nosso hospitais? Quantos episódios de urgência não o são no SU diariamente? Ou então, porque não aplicar uma taxa de não urgência, se no final da consulta o clínico concluir que a situação não é urgente, paga um acréscimo ou percentagem da consulta. Outra hipótese passa por uma triagem dos doentes de modo a que, o que é urgente é atendido, o restante, é priorizado e marcada uma consulta, seja de médico de família seja de especialidade, em tempo considerado útil. As taxas moderadoras aumentam, já no dia 1 de Janeiro, e em caso de não pagamento é aplicada multa que chegará aos 100€. Mas muitas outras hipóteses poderão ser equacionadas se assim entenderem os responsáveis.
Num contexto de contenção de custos e de tentação de «cortes cegos», é imprescindível construir plataformas de consensos a partir dos dados disponíveis. Essas plataformas de consensos devem ser o suporte de pactos sociais e políticos que sustentem um serviço de saúde onde nenhum cidadão seja excluído dos cuidados a que tem direito.
Quando se procede a escolhas no campo social o primeiro denominador a considerar é preservar a coesão nacional. Se não tomarmos em consideração este denominador pagaremos no futuro, com custos acrescidos, as leviandades do presente…
 Conseguiremos superar esta fase? Quero crer que sim.
YES, WE CAN ! E o Orçamento o permita...
BOM ANO DE 2011

in Tribuna Pacense a 31.12.2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Estratégia Local de Saúde

O Plano Nacional de Saúde no seu conjunto, define os objectivos e metas em Saúde para os Portugueses em geral e para determinados grupos específicos.

Representa o que podemos designar, como um mapa para que as instituições do Ministério da Saúde, outros organismos do sector da Saúde - governamentais, privados e de solidariedade social - e de outros sectores de actividade, possam assegurar ou contribuir para a obtenção de ganhos em Saúde orientados pela promoção da saúde e pela prevenção da doença.

Uma das realizações mais significativas referidas na avaliação do PNS 2004-2010 realizada pela OMS em 2010, foi o facto de Administrações Regionais de Saúde terem começado a promover estratégias locais de saúde para apoiar a realização dos objectivos estabelecidos pelo PNS. No entanto, a avaliação refere que não foram colmatadas todas as dificuldades em coordenar, priorizar e implementar os inúmeros programas de saúde ao nível local.

As Estratégias Locais de Saúde (ELS) poderão ser a pedra de toque do desenvolvimento do nosso sistema de saúde, uma vez que são o principal instrumento para a implementação do Plano Nacional de Saúde. A experiência internacional demonstra que sem estratégias locais não existem Planos Nacionais reais. O PNS só será efectivamente reconhecido como instrumento de mudança quando tiver a capacidade de servir de referência e estímulo ao desenvolvimento de estratégias locais de saúde.

A selecção das prioridades e das metas de um “Plano de Saúde” e de uma Estratégia Local de Saúde não são somente exercícios técnicos, representam também um compromisso social. O compromisso ou consenso político que é vital para o sucesso de qualquer iniciativa de metas tem que ser estabelecido entre todos os parceiros locais.

A estratégia local de saúde define-se como o conjunto de metas de saúde, capazes de melhorar o estado de saúde da comunidade, num contexto de elevada complexidade. A estratégia local de saúde será o principal instrumento, para a realização dos grandes objectivos do PNS, a nível local.

A estratégia local de saúde é essencialmente um “motor de mudança” local capaz de proporcionar um “efeito de alavancagem”. É importante compreender que a saúde de uma comunidade é influenciada por uma vasta rede de causas e efeitos que atravessa transversalmente várias categorias de problemas da comunidade. Neste contexto não faz sentido promover linearmente um vasto conjunto de “medidas independentes”, cada uma dirigida especificamente a um problema particular. Interessa antes desenhar convergências, interacções e sinergias capazes de proporcionar efeitos multiplicadores – escolher pólos de alavancagem estratégica. Os domínios de acção em relação aos quais se definem as metas das estratégias locais de saúde são seleccionados para poderem constituir esses pólos de alavancagem – têm um efeito directo sobre aquilo em que se intervém, mas influenciam um conjunto mais vasto de problemas.

Os serviços de saúde e outras organizações têm desenvolvido diversos projectos na comunidade, alguns estimulados pelo PNS, outros anteriores à sua existência, outros ainda relacionados com dinâmicas locais específicas, muitas vezes de iniciativa municipal. Existe uma enorme riqueza de intervenções na comunidade, em que é necessário investir, promover e divulgar. As ELS pretendem acrescentar valor ao que os serviços de saúde e outras organizações já desenvolvem ao nível da comunidade.

Várias metas poderão ser seleccionadas desde a Gestão da Doença (Cancro da mama, Cancro do colo do útero, Cancro do cólon rectal, Tuberculose pulmonar); Promoção da Saúde (actividade física, obesidade infantil, álcool, tabagismo, educação sexual, saúde escolar, saúde mental) e Cuidados de Saúde (Vacinação, Antibióticos, Acesso a cuidados de saúde). Em que as várias organizações da comunidade integradas em rede, poderão desenvolver projectos promovidos pela própria rede, em vez de projectos individuais, assegurando um maior alcance na comunidade. Para tal, a informação adequada é crítica para o desempenho das organizações, circulando através dessas redes (entre as pessoas, nas organizações, e entre as organizações). Já actualmente a Câmara Municipal começa a ser o fio condutor das várias instituições do concelho, apoiando-as, agregando-as....

A criação de espaços de comunicação, de discussão e consensualização de áreas prioritárias ao nível local constituiu um aspecto central no desenvolvimento do projecto.

Nesta perspectiva, a Estratégia Local de Saúde não é apenas um conjunto de estratégias organizacionais, mas uma sequência de escolhas feitas por diferentes actores em prol de objectivos comuns. O processo pode ser visto como uma busca de consensos estratégicos que transformam a visão e o conhecimento em acção, através de uma sequência ininterrupta de relações interpessoais e inter-organizacionais.

Pode-se afirmar que o Estado atinge mais facilmente os seus objectivos estimulando a colaboração das organizações implementadas na sociedade civil local. A Saúde é um bem que promove a coesão social, e compete a todos os intervenientes, e não apenas aos organismos do Ministério da Saúde, promovê-la. Se este envolvimento não estiver bem alicerçado ou não for desejado, poder-se-á estar a comprometer o sucesso de todo o trabalho. É necessário reconhecer a importância das organizações da sociedade civil e desenvolver parcerias. A cooperação intersectorial permite reduzir ao mínimo a duplicação, e possibilita, ao mesmo tempo a optimização dos recursos e dos resultados, para atingir a máxima sinergia e eficiência.

São vários os actores que poderão estar envolvidos: profissionais de saúde, da área social, da educação, do desporto, arquitectos, empresários, autarcas, etc. Para isso deverão estabelecer-se parcerias nos diferentes grupos profissionais e parcerias dentro das organizações, com vista ao envolvimento de todos para o bem comum e à definição do papel de cada um nas acções concretas.

Esta ELS poderá ser promovida pela Câmara Municipal, uma vez que pode ser o pivô entre as várias organizações locais. Sejam sociais, centros paroquiais, associações, CLAS ou outros; sejam mais institucionais, Centro de Emprego, GNR, Segurança Social, Centro de Saúde, USF, CHTS, Juntas de Freguesias ou outros. O “agente local de saúde” poderá, além de desenvolver um Programa de Saúde Escolar Local (já aqui referido no artigo anterior), ir muito mais além e ser um Agente Promotor de Saúde do Concelho de Paços de Ferreira. Agregando todos os intervenientes numa Estratégia Local de Saúde.



Se a Educação começa também ela, a ser de base Municipal porque não lançar as bases de uma ELS? Assim o desejem os políticos!. E o Orçamento o permita...



Nota: estudos de avaliação do custo-efectividade das intervenções preventivas, têm demonstrado que 1 € gasto na promoção da saúde, hoje, representa um ganho de 14 € em serviços de saúde, amanhã.




in Tribuna Pacense a 17.12.2010


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Saúde e Centros Escolares

Os novos Centros Escolares do nosso concelho são já uma realidade em 7 das 14 freguesias. Esta é uma oportunidade do poder local concelhio demonstrar que é capaz inovar e gerir as necessidades, neste caso educativas da sua área geográfica.

Mas a realidade legislativa e institucional ainda não se descentralizou, ou seja os educadores e professores são da competência do Ministério da Educação através das suas estruturas regionais (DREN), intermunicipais (CAE) e locais (Agrupamento de Escolas). Já o pessoal não docente, estruturas físicas e material são da competência da Câmara Municipal. Bem como o dos professores das actividades extra curriculares (AEC) Inglês, Actividade Física, Música, etc.

Os centros escolares criaram uma expectativa elevada pela qualidade, inovação e novidade das estruturas físicas construídas de raiz para o efeito. Substituindo em alguns casos escolas quase centenárias. Os equipamentos básicos estão operacionais, mas outros ainda ficaram por concluir, (se é que algum dia ficarão!) á boa moda tuga.

Em relação ao planeamento dos recursos humanos algumas lacunas persistem, mas a lei é cumprida. No caso do pessoal não docente o rácio é de 1 auxiliar para 2 turmas, em que cada turma poderá suportar até 24 alunos. Se por um lado os alunos mais velhos não necessitarão de muita supervisão, já os mais pequenos dos Jardins Infantis, (alguns ainda a fazer 3 anos), devem ter um pouco mais de atenção, principalmente nos tempos comuns livres, intervalos e refeições. Crianças de 3 anos em conjunto com outras de 10 anos, (a diferença de idades é grande) o que pode provocar diversos incidentes. Vários são os métodos que cada centro escolar vai adoptando, para tentar harmonizar dentro do possível estas possíveis tensões que são geradas.

Para além da estruturação organizativa dos novos centros escolares, poderá ser aproveitado o momento para lançar as bases de um Programa Concelhio para a Saúde Escolar.

Segundo o Plano Nacional de Saúde Escolar, a escola ocupa um lugar central na ideia de saúde. Aí aprendemos a configurar as ‘peças’ do conhecimento e do comportamento que irão permitir estabelecer relações de qualidade. Adquirimos, ou não, ‘equipamento’ para compreender e contribuir para estilos de vida mais saudáveis, tanto no plano pessoal como ambiental, serviços de saúde mais sensíveis às necessidades dos cidadãos e melhor utilizados por estes. Um programa de saúde escolar efectivo é o investimento de custo-benefício mais eficaz que um País ( e até um Município) pode fazer para melhorar, simultaneamente, a educação e a saúde.

No Sistema Educativo, novos desafios se colocam: a par do trabalho de transmissão de conhecimentos organizados em disciplinas, a escola deve, também, educar para os valores, promover a saúde, a formação e a participação cívica dos alunos, num processo de aquisição de competências que sustentem as aprendizagens ao longo da vida e promovam a autonomia.

Uma Escola Promotora da Saúde assenta em três vertentes – currículo, ambiente e interacção escola/família/meio – e orienta-se por 10 princípios, organizados em cinco dimensões, considerando-se a sua implementação efectivada quando os processos forem assumidos pelos sectores da saúde e da educação, podendo envolver outros parceiros institucionais. O desenvolvimento destas vertentes e a implementação destes princípios permitem capacitar os jovens para intervir na mudança e conduzem ao exercício pleno da cidadania, pelo que deve ser uma prioridade de todos os governantes a todos os níveis.

A Escola, e em particular os novos centros escolares, ao constituir-se como um espaço seguro e saudável, está a facilitar a adopção de comportamentos mais saudáveis, encontrando-se por isso numa posição ideal para promover e manter a saúde da comunidade educativa e da comunidade envolvente.

A maior parte dos problemas de saúde e de comportamentos de risco, associados ao ambiente e aos estilos de vida, pode ser prevenida ou significativamente reduzida através de Programas de Saúde Escolar efectivos. Os estudos de avaliação do custo-efectividade das intervenções preventivas têm demonstrado que 1 € gasto na promoção da saúde, hoje, representa um ganho de 14 € em serviços de saúde, amanhã.

A todos os níveis, temos de criar consensos e parcerias sólidas, que advoguem um trabalho em rede e permitam organizar equipas multi-profissionais responsáveis pela implementação do Programa Nacional de Saúde Escolar ou mesmo de um Programa de Saúde Escolar Concelhio. Esta aliança deverá incluir as Associações de Pais, as Autarquias, a Segurança Social, as Organizações Não Governamentais e todos os sectores da sociedade que trabalham com crianças e jovens e se preocupam em que as escolas sejam cada vez mais promotoras da saúde.

O trabalho de saúde escolar desenvolve-se prioritariamente na escola, em equipa, com respeito pela relação pedagógica privilegiada dos docentes e pelo envolvimento das famílias e da restante comunidade educativa, e visa contribuir para a promoção e protecção da saúde, o bem-estar e o sucesso educativo das crianças e dos jovens escolarizados. O Programa Nacional de Saúde Escolar tem como finalidades:

∙ Promover e proteger a saúde e prevenir a doença na comunidade educativa;

∙ Apoiar a inclusão escolar de crianças com Necessidades de Saúde e Educativas Especiais;

∙ Promover um ambiente escolar seguro e saudável;

∙ Reforçar os factores de protecção relacionados com os estilos de vida saudáveis

As equipas de saúde escolar têm um papel fundamental na sensibilização e reforço das competências dos outros técnicos de saúde, dos pais, dos educadores e dos professores. Na escola, os agentes da promoção da saúde devem ter conhecimentos sobre os determinantes da saúde e as suas consequências na vida de cada um e na sociedade em geral.

A nossa autarquia poderá ser pioneira e criar esse “agente de promoção da saúde” em cada centro escolar, com a ajuda das Associações de Pais, Juntas de Freguesias, Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, Centro de Saúde e Centros Paroquiais. Cada novo centro escolar tem já um espaço clínico reservado. Façam um projecto piloto, equipem a sala, formem técnicos para o efeito e implementem num ano lectivo, um Programa de Saúde Escolar Local, avaliem-no e poderão chegar a conclusões surpreendentes. Porventura a aplicação deste tipo de projecto a todo o concelho, no que poderia evoluir como o PSE Concelhio, poderá ter um custo menor que as ajudas anuais aos clubes de futebol e ter um impacto directo e indirecto muito maior na vida futura das nossas gentes.


Dos técnicos de saúde e de educação espera-se que, no desempenho das suas funções, assumam uma atitude permanente de empowerment, o princípio básico da promoção da saúde.


in Tribuna Pacense a 03.12.2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O Orçamento do Estado para a Saúde

A crise económica e financeira que assola o nosso país é grave e irá certamente abanar os alicerces da nossa sociedade tal como a conhecemos. Prioridades terão de ser delimitadas. O combate ao desperdício e á inprodutividade, com especial incidência no sector público, serão as grandes batalhas que se avizinham. Todos, teremos decerto conhecimento de algum serviço ou departamento em que existe algum tipo de desperdício. Os responsáveis devem procurar combater tal desiderato motivando, guiando, liderando os seus colaboradores para uma cada vez maior escassez de recursos.

Os responsáveis políticos já há muitos anos que deveriam ter esta preocupação, guiando o País não para o abismo que parece próximo, mas para um desenvolvimento sustentado baseado na produtividade qualificada. Durante anos os fundos comunitários foram canalizados para as necessárias auto-estradas, mas será que um pequeno país tem de ter quase 3 eixos viários Norte-Sul?.Temos a A1 agora também a A29-A17-A8 e ainda um outro eixo pelo interior do País. E os fundos para se abandonar os nossos campos, vinhas e pescas, em favor dos grandes industriais e latifundiários? E a EXPO, o Euro, o TGV, o Aeroporto, etc,etc,etc. O rumo poderia e deveria ser outro. Não ao sabor do proveito próprio e da conveniência partidária mas sim com o interesse nacional, portanto comum, no horizonte. Um interesse colectivo que promova um desenvolvimento mais igualitário, com menos pobres e menos ricos para que todos possamos estar melhor.

A Educação e a Saúde assumem esse papel de nivelar, o ideal seria por cima, o colectivo como um todo. Todos devem ter a mesma oportunidade de acesso.

A Saúde foi também uma das conquistas de Abril, temos um Serviço Nacional de Saúde que em 30 anos colocou Portugal num lugar honroso em termos de sistemas de saúde nos paises ocidentais. Mas os recursos são escassos, a percentagem do PIB que em Portugal se gasta na Saúde está acima dos dois dígitos, na média dos países da OCDE situa-se abaixo desse limite. A crise está a levantar o véu. Ao criarem-se os hospitais S.A., mais tarde E.P.E., permitiu iludir as contas do famigerado défice ao não serem contabilizados os prejuízos dos hospitais. Mas, mais tarde o dinheiro tem que aparecer pois existem dividas assumidas que o Estado, como um todo, tem que as pagar. Ao mesmo tempo, foi-se instalando na administração pública, e por consequência nos hospitais, uma política de facilitismo, de “deixa para lá” que alguém no final pagará. Um exemplo: inúmeros médicos de hospitais EPE pediram licença sem vencimento da Função Pública para exercer as mesmas funções no posto que ocupavam, mas com contrato individual de trabalho e um salário quase dobrado. A prática era corrente até o Governo impor medidas de contenção. O recurso é legal: está no decreto-lei 233 de 2005 que transformou os hospitais em entidades públicas empresariais (EPE). Os profissionais em regime de funções públicas podem optar temporariamente por um contrato individual de trabalho, desde que lhes seja concedida licença sem vencimento, depois de os conselhos de administração terem feito o "reconhecimento casuístico do interesse público" dessa licença. Os médicos paravam as funções públicas e mantinham-se nos postos, com remuneração equiparada à do regime de exclusividade, o que, para muitos, equivale a quase o dobro do ordenado por mais cinco horas de trabalho semanal. O Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto foi um dos EPE onde, ainda este Verão, alguns profissionais beneficiaram deste estratagema. A garantia do presidente do Conselho de Administração, Laranja Pontes, é a de que a prática cessou no momento em que a ministra da saúde impôs medidas de contenção. Entre elas está a proibição de novas contratações, a não ser com aprovação do próprio gabinete ministerial. Questionado sobre o "interesse público" de dar licença sem vencimento a médicos para contratá-los individualmente por um preço mais alto, o administrador garante que se tratou de "evitar" que clínicos considerados "pessoas-chave" acabassem "aliciados para o sector privado e, ao saírem, colocassem em causa a qualidade" do IPO, um dos poucos hospitais de gestão empresarializada com resultados positivos. Estas acções pervertem o sentido da gestão de direito privado dos hospitais EPE, para além de serem um custo fixo bastante elevado que agora é impossível de diminuir.

Aliás muitas acções políticas transferem para as gerações futuras aquilo que no momento não se pode pagar, é o caso das SCUT, das parcerias publico privadas em hospitais, pontes, fala-se no novo aeroporto, TGV, etc, etc.

Neste momento o sector da Saúde vê-se confrontado com a necessidade de reduzir a despesa mantendo o nível e qualidade dos cuidados de saúde prestados. Será possível com menos dinheiro (cerca de 6,4% em relação ao ano anterior) tratar o mesmo número (ou até mais, pois o desemprego aumenta) de doentes? Com menos médicos nos hospitais públicos e nos centros de saúde?

Inúmeros especialistas da área consideram irrealizável o Orçamento de Estado para a Saúde. Que não será possível manter o nível de cuidados com as verbas previstas para 2011. A juntar a tudo isto ainda permanecem por pagar inúmeras dívidas a fornecedores, com a industria dos medicamentos á cabeça, serão mais de mil milhões de euros!!!!. Os orçamentos dos hospitais e instituições do SNS devem ser realistas face á produção realizada e ás dívidas assumidas.

Será possível fazer mais consultas, mais cirurgias, mais sessões de hospital de dia, mais atendimentos na urgência e, ao mesmo tempo, incorporar toda a inovação tecnológica e terapêutica emergente? E tudo isto conseguindo cumprir os prazos de pagamento conforme lei recentemente aprovada na assembleia da república. Mas com menos recursos financeiros? E nalguns casos menos médicos?

Porque não transferir algumas competências para os Enfermeiros, libertando os clínicos para as consultas médicas? O estado do País e as necessidades dos utentes, poderão ser uma oportunidade para mudanças que potenciem melhores resultados no acesso e prestação de cuidados de saúde aos Portugueses.

Vamos ver se lá para Maio não será necessário um orçamento novo ou retificativo...!!!

in Tribuna Pacense a 19.10.2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

INVERNO - Precauções


O Inverno está á porta, e com ele todo o glamour da época natalícia que se aproxima.

Entramos na época com características ambientais que afectam directa e/ou indirectamente a saúde das populações em geral e sobretudo de alguns grupos mais vulneráveis como as crianças, os idosos, os doentes crónicos e os sem abrigo. Não menos vulneráveis estão os indivíduos que têm redução da mobilidade, problemas de saúde mental, os que estão mais isolados, que estão em situação de exclusão social ou que têm ocupações ou hobbies que implicam uma exposição prolongada ao frio. É o período em que aumenta a incidência de gripes e resfriados e se agravam as doenças respiratórias nas populações, “enchendo e entupindo” os serviços de urgência/ saúde do nosso país, fruto de factores e situações de risco ambientais como as temperaturas baixas, o aumento da humidade e da pluviosidade, a neve e nevoeiro, maior queima de combustíveis sólidos ou líquidos para produção de calor.

As mudanças súbitas de temperatura, a inalação de ar frio e a convivência mais prolongada em ambientes fechados são condições favoráveis à irritação e inflamação das mucosas das vias aéreas superiores e à transmissão de vírus causadores de constipação, de gripe e de outras afecções respiratórias. No inverno são frequentes as agudizações de alergias, incluindo a asma e de outras doenças respiratórias crónicas; o frio agudiza as doenças de evolução prolongada, as músculo-esqueléticas (artrites) e a saúde mental.

A gripe é a infecção respiratória provocada pelo vírus influenza, com maior incidência nesta época, com forte sintomatologia de febre, dores musculares e tosse, sendo de evolução geralmente benigna e autolimitada. Normalmente manifesta mais complicações nos grupos mais vulneráveis, sendo recomendada a sua vacinação. Tem também um impacto social relevante, pelo absentismo escolar e laboral que originam custos colaterais significativos.

Este ano, pela primeira vez em Portugal, as pessoas residentes em lares e /ou internadas em unidades de cuidados continuados, os beneficiários do complemento solidário do idoso, e os profissionais de saúde a prestarem cuidados nas unidades de saúde primárias e hospitais vão receber gratuitamente a vacina, já disponível desde 1 de Outubro de 2010.

Recomendam-se certas medidas básicas para o frio que se aproxima e que passo a enumerar:

1 Manter abertas as entradas e saídas e ar, particularmente nas cozinhas e nas casa de banho;

2 Desobstruir e limpar as condutas ou chaminés dos meios de queima antes de iniciar a época do seu funcionamento;

3 Ventilar os espaços de maior e mais prolongada presença humana ou de animais de estimação;

4 Usar vestuário adequado á protecção contra o frio e a chuva, preferencialmente através do uso de várias camadas de roupa mais ligeira em vez de um vestuário muito pesado;

5 Manter o vestuário seco e trocá-lo quando molhado ou transpirado;

6 Em situações de frio intenso evitar ingerir bebidas alcoólicas, evitar cafés e tabaco e praticar uma alimentação saudável, com reforço de hidratos de carbono;

7 Na rua usar calçado isolante que limite a perda de calor e evitar molhar os pés e consequentemente o seu arrefecimento;

8 Conduzir tendo em atenção o estado do piso molhado e o grau de visibilidade diminuído, devido a nevoeiros e neblinas;

9 Respeitar as normas e instruções na instalação dos equipamentos de queima para aquecimento: lareiras, recuperadores de calor, salamandras, e outros, garantindo uma boa manutenção desses equipamentos e usá-los correctamente.

Com estas recomendações, considera-se que estarão asseguradas as condições para reduzir o impacto do inverno e por consequência, reduzir a mortalidade por gripe e, simultaneamente, minimizar o impacto negativo associado ao absentismo e ao aumento do consumo de recursos de saúde, aliás cada vez mais escassos.

PREVENIR É O REMÉDIO.

in Tribuna Pacense a 5.10.2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

ADSE

O sistema de protecção na doença dos trabalhadores do estado (a ADSE) deve acima de 300 milhões de euros aos hospitais públicos. Este é mais um buraco que os nossos impostos lá terão que tapar. Este sub-sistema de saúde há muitos anos que acumula prejuízos, mas como existe uma fonte inesgotável, que são as contribuições de todos os portugueses, alguns lá vão mantendo o direito á assistência pela ADSE.

O Governo quer reduzir custos com a ADSE e para isso vai rever as tabelas de comparticipações na saúde dos funcionários públicos e os contratos com os prestadores de serviços ao seu subsistema de saúde. Esta é uma das formas encontradas para a redução de encargos no sistema anunciada na semana passada.

A redução de encargos com a ADSE acompanha a política de redução de custos do Estado com a Saúde, de que é exemplo a recente diminuição nas comparticipações dos medicamentos e a eliminação da gratuitidade dos medicamentos para os idosos de menores rendimentos.

As contribuições para a ADSE irão gerar uma receita na ordem dos 600 milhões de euros em 2011, de acordo com uma estimativa feita pelo diretor geral do subsistema de saúde dos funcionários públicos. De acordo com Luís Pires, as contribuições de 3 por cento que os serviços vão passar a descontar por cada trabalhador inscrito a partir do próximo ano rondará os 400 milhões de euros. Este valor somar-se-á às contribuições de 1,5 por cento dos beneficiários, que gera receitas na ordem dos 200 milhões de euros.

Os encargos do Estado com a ADSE vão ser reduzidos, graças à contribuição das entidades patronais, a um novo modelo de fixação dos limites para os valores dos reembolsos e à revisão das convenções. Toda a medicação receitada a beneficiários da ADSE passa a ser despesa do SNS, tal como a despesa com a hemodiálise, que vai sofrer cortes de seis por cento.

«Em 2011, serão tomadas medidas de racionalização e redução dos encargos com a ADSE», pode ler-se na proposta do Orçamento do Estado para 2011 (OE). Assim, estão previstas «medidas de racionalização e controlo do volume de actos e serviços de saúde elegíveis para comparticipação por beneficiário», um «controle da quantidade de medicamentos elegíveis para comparticipação por beneficiário» e ainda a «revisão das tabelas dos actos e serviços de saúde elegíveis para comparticipação».

«Para o consumo de medicamentos através das farmácias serão exigidos os mesmos requisitos que, actualmente, já são cumpridos pelos prestadores convencionados, muito especialmente, o envio de ficheiros de dados com a identificação dos beneficiários, de modo a proceder a uma avaliação da frequência de consumo. Por outro lado, espera-se beneficiar da recente política de comparticipações estabelecida pelo Ministério da Saúde», explica o OE2011.

«No decurso de 2011 serão revistos o número de actos e serviços de saúde sendo eliminados aqueles que não tenham uma especificação médica pertinente. Do mesmo modo serão revistas as tabelas de comparticipação com base nos mesmos princípios de racionalização e de adequada fundamentação médica», acrescenta.

Entre as medidas conta-se ainda a «revisão de procedimentos e preços no regime livre», sendo introduzido «um novo modelo de fixação dos limites para os valores dos reembolsos que será sustentado na correlação com os preços praticados pelos prestadores convencionados para os actos que registem maior frequência. Este modelo estará definido no novo normativo que estabelecerá a organização do regime de benefícios da ADSE».

O Governo pretende ainda rever as convenções com prestadores de serviços de saúde, procedendo «à definição de preços diferenciados em função das condições técnicas dos prestadores, para além da revisão de tabelas, designadamente da medicina nuclear e da patologia clínica. Serão ainda revistas as situações contratuais de prestadores que utilizam as tabelas do Ministério da Saúde com preços calculados através do método dos Grupos de Diagnósticos Homogéneos».

Isto significa que lentamente o Estado deixará de estar directamente implicado na recorrente cobertura de prejuízos da ADSE, criando condições para que esta seja autónoma na sua gestão, dizem eles…




in Tribuna Pacense a 22.10.2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Serviços Públicos

Os Serviços Públicos são muitos e variados. Água, Luz, Telefone\Internet, Finanças, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, Escolas, Serviços de Saúde (Hospitais e Centros de Saúde), Polícias, Correios, Bancos (pois quem consegue na sua rotina diária não ter uma conta bancária, cartão de débito, etc), alguns Transportes (cada vez menos!) sejam rodo ou ferro viários ou mesmo fluviais e aéreos.

Alguns dos serviços públicos são já geridos por privados, ou sob o direito privado embora públicos, ou são mesmo 100% privados. Embora alguns, cada vez menos, ainda sejam do Estado, Públicos portanto.

Queria agora centrar-me numa particularidade dos nossos serviços públicos: o horário de atendimento ao público.

Numa sociedade em que cada vez mais a pressão sob os trabalhadores é maior, no sentido de não existirem quebras na sua produção diária, e em que uma falta ou ausência (ainda que previsivelmente curta) para se deslocar ao Banco ou ao Médico ou á Câmara Municipal, não é vista com bons olhos. Porque não, ter um dia de horário alargado? Para atender aqueles casos, em que é mesmo difícil ausentar-se do trabalho.

Nos EUA existe um dia da semana em que os Bancos fecham pelas 20h. Determinados serviços estão abertos ao público ao sábado de manhã, bancos e correios. Funcionando normalmente. Os médicos de família têm um horário mais alargado, como a maioria dos nossos Médicos Dentistas.

Porque razão, se temos de tomar a nossa vacina do tétano ou ver as nossas tensões arteriais, tem que ser ás 14.45h ou ás 11.05h??!!!. E não ás 19.05h ou mesmo mais tarde. Bem sei que nas USF até às 20h já se consegue agendar grande parte das necessidades dentro das expectativas e possibilidades de cada um. Mas as USF não cobrem a totalidade das populações inscritas nos nossos Centros de Saúde, deixando de fora desta possibilidade enumeros utentes.

Os serviços têm de estar ao serviço do cidadão e não o inverso. Eles só existem porque são necessários para as pessoas e têm de acompanhar as necessidades e constrangimentos que a sociedade actual nos impõe.

Mas nem em tudo estamos atrasados em relação aos países mais desenvolvidos. Veja-se o caso da cobrança em movimento nas auto-estradas, a nossa Via Verde, foi e é um caso de inovação. Um outro caso é o nosso Multibanco, gerido pela SIBS. Permite múltiplas aplicações desde transferências, pagamentos, levantamentos, etc,ect aplicativos que outros países europeus ainda não têm tão desenvolvidos.


Estes dois exemplos demonstram como os serviços podem ir de encontro ao que os cidadãos desejam. Com soluções avançadas e que facilitam o nosso dia a dia.

in Tribuna Pacense a 08.10.2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A Osteoporose

A Osteoporose é uma doença de elevada prevalência nos países ocidentais, em que Portugal se insere. Existem, no nosso país, mais de meio milhão de pessoas, sobretudo mulheres, com osteoporose.

A Osteoporose é uma doença esquelética sistémica, que se caracteriza pela diminuição da massa óssea e por uma alteração da qualidade microestrutural do osso, que levam a uma diminuição da resistência óssea e consequente aumento do risco de fracturas, sendo estas mais frequentes nas vértebras dorsais e lombares, na extremidade distal do rádio e no fémur proximal.

A importância em termos de saúde pública desta doença, advém das suas complicações, isto é das fracturas, uma vez que a doença em si é maioritariamente assintomática. As complicações mais frequentes são portanto as fracturas e dentro destas, as do fémur proximal são as que, a curto prazo, condicionam maior morbilidade, mortalidade e elevados encargos sociais e económicos.

Portugal não foge á regra e na proporção de 3 mulheres para cada homem têm fracturas do colo do fémur de causa osteoporótica. Para além de consumirem cerca de 52 milhões de euros (dados de 2006, para 9523 fracturas do colo do fémur) em cuidados hospitalares, são uma importante causa de morbilidade com incapacidade grave e de mortalidade.

A Osteoporose é uma consequência do aumento da esperança média de vida e está mais associada à idade avançada e ao sedentarismo.

Até á idade adulta óssea, cerca dos 21 anos, os nossos ossos acumulam a maioria do cálcio. No nosso crescimento fontes de cálcio devem estar presentes na nossa alimentação, para que o organismo o possa acumular nos ossos, fortalecendo-os. O leite e derivados serão a principal fonte desse nutriente, conjugado com actividade física, alimentação rica em vegetais e frutas e exposição solar para fixação da vitamina D. Estes são alguns dos factores que influenciam o fortalecimento dos nossos ossos ao longo da nossa vida, de modo a prevenir o aparecimento da osteoporose.

Outro factor importante prende-se com as hormonas, ou ausência delas, como é o caso da menopausa nas mulheres. A menopausa é muitas vezes o catalizador da osteoporose, potenciando e/ou agravando uma tendência osteoporótica.

Como em qualquer doença, um tratamento adequado da osteoporose pressupõe um diagnóstico correcto. A osteoporose pode diagnosticar-se por achado radiológico, ao realizar radiografia a qualquer parte do esqueleto, tardiamente após a ocorrência de uma fractura, ou atempadamente através da realização de uma densitometria óssea.

De entre todas as técnicas utilizadas para avaliar a densidade mineral óssea (DMO) a absorsiometria radiológica de dupla energia (DEXA) é hoje, considerada o método padrão para o diagnóstico e seguimento da evolução dos doentes com osteoporose, comumente designada de Densitometria Óssea.

O tratamento da osteoporose poderá passar por alteração de hábitos alimentares, terapia hormonal de substituição, toma de cálcio, toma de vitamina D, exercício físico e exposição solar moderada. Combinados entre si ou isoladamente após rigorosa avaliação clínica, ponderando os benefícios e malefícios existentes.

Na população idosa, a prevenção das quedas deverá estar presente, quer no dia a dia do idoso na sua habitação ou quer este esteja institucionalizado. Devemos ter presente que os idosos têm perda da acuidade visual, auditiva e por vezes cognitiva, o que lhes provoca muitas vezes desequilíbrios, má coordenação motora, alterações da postura, marcha instável, etc. Devido a essas limitações e porque muitas vezes estão sozinhos, o calçado é inadequado, os auxiliadores de marcha são impróprios ou insuficientes, outras menos vezes, também as condições ambientais são deficientes como seja iluminação fraca, carpetes soltas, chão irregular, ausência de corrimão e apoios principalmente nas casas de banho, etc.

O tratamento e prevenção da osteoporose, bem como das quedas, em especial nas populações envelhecidas assumem, como em qualquer outra doença, um papel importante no combate á morbilidade e dependência tendo presente que os custos de prevenir são sempre muito menores que os custos de curar.



in Tribuna Pacense  a 24.09.2010

sábado, 11 de setembro de 2010

Registro de Saúde Electrónico RSE

Um dos objectivos deste governo para o sector da saúde é a implementação do Registo de Saúde Electrónico, até ao final de 2012. Trata-se de um ambicioso projecto que permitirá colocar Portugal na linha da frente das inovações em Saúde. Nos EUA, o Electronic Health Record, EHR (o equivalente ao nosso RSE) é parte fundamental da reforma dos seguros de saúde públicos da administração Obama, e permitirá um acesso rápido ao historial do doente, evitando desperdícios, duplicações e repetições de “actos em saúde”. Desde modo será mais rápido o acesso a determinadas informações permitindo um melhor diagnóstico num tempo mais célere.

O registo clínico electrónico já existe na maioria dos nossos Centros de Saúde e Hospitais, mas sem interligação entre os vários sistemas. Os Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica também, na sua maioria, já se realizam em suporte informático. O que se pretende é criar uma base de dados única por doente, onde seja possível inserir dados relevantes e disponibiliza-los on-line, de modo que, em qualquer ponto do País e a qualquer hora, estejam disponíveis num contexto de prestação de cuidados de saúde, evitando actos duplicados, desnecessários e que sobrecarregam os custos do SNS.

Envolve inúmeras dificuldades como a multiplicidade, diversidade e complexidade da informação, armazenada em bases de dados não acessíveis numa única plataforma (Sinus, SAM SAPE e Sonho). Por outro lado é indispensável a padronização do conteúdo e estrutura do RSE, de modo a este atingir a interoperatibilidade entre sistemas, para que seja constituído por um resumo de dados do doente, onde se incluem por exemplo a história clínica, alergias, problemas activos, Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, terapêutica habitual.

Imaginem num futuro, uma ida a um hospital por motivo de acidente ou doença súbita, numas quaisquer férias em Portugal, e na primeira avaliação médica ser possível, o acesso ao historial clínico, orientado desde o primeiro momento o tratamento em função dos antecedentes patológicos, alérgicos, condicionantes, etc. Muitas vidas poderão ser salvas, muitos exames (e horas de espera pelos resultados) desnecessários não se realizarão. Os cuidados de saúde poderão ser mais eficientes e eficazes, logo com um menor custo.

Por este pequeno levantamento se antevê, um complexo e demorado trabalho a ser desenvolvido, num tempo de “vacas magras” em que o investimento em Tecnologia de Informação e Comunicação será necessariamente elevado.

É de louvar que o “Desenho do Serviço de Registo de Saúde Electrónico” seja desenvolvido por uma instituição nacional, neste caso a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Deste modo não se gastam fundos com as multinacionais da informática e coloca-se a Universidade ao serviço da sociedade.


in Tribuna Pacense a 10.10.2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ondas de Calor

O Verão é a estação do ano que mais convida a actividades ao ar livre. É também nesta altura que a esmagadora maioria da população aproveita para gozar as suas férias. É, no entanto, um período com algumas situações de risco específicas que importa conhecer e prevenir, para se poder desfrutar do verão e das férias em segurança.

A exposição a períodos de calor intenso, durante vários dias consecutivos – ondas de calor – constitui uma agressão para o organismo, podendo conduzir à desidratação, ao agravamento de doenças crónicas, a um esgotamento ou a um golpe de calor, situação muito grave e que pode provocar danos irreversíveis na saúde, ou inclusive levar à morte.

São mais vulneráveis ao calor:

• As crianças nos primeiros anos de vida;

• As pessoas idosas;

• Os portadores de doenças crónicas (nomeadamente doenças cardiovasculares, respiratórias, renais, diabetes, alcoolismo);

• As pessoas obesas;

• As pessoas acamadas;

• As pessoas com problemas de saúde mental;

• As pessoas a tomar alguns medicamentos, como anti-hipertensores, antiarrítmicos, diuréticos, anti-depressivos, neurolépticos, entre outros;

• Os trabalhadores expostos ao sol e/ou ao calor;

• As pessoas que vivem em más condições de habitação.


Para a prevenção dos efeitos do calor intenso recomendam-se as seguintes medidas:

• Aumentar a ingestão de água, ou sumos de fruta natural sem adição de açúcar, mesmo sem ter sede.

• Evitar bebidas alcoólicas e bebidas com elevados teores de açúcar.

• Os recém-nascidos, as crianças, as pessoas idosas e as pessoas doentes, podem não sentir, ou não manifestar sede, pelo que são particularmente vulneráveis - ofereça-lhes água e esteja atento e vigilante.

• Devem fazer-se refeições leves e mais frequentes. São de evitar as refeições pesadas e muito condimentadas.

• Permanecer duas a três horas por dia num ambiente fresco. Se não dispõe de ar condicionado, visite centros comerciais, cinemas, museus ou outros locais de ambiente fresco. Evite as mudanças bruscas de temperatura.

• No período de maior calor tome um duche de água tépida ou fria. Evite, no entanto, mudanças bruscas de temperatura (um duche gelado, imediatamente depois de se ter apanhado muito calor, pode causar hipotermia, principalmente em pessoas idosas ou em crianças).

• Evitar a exposição directa ao sol, em especial entre as 11 e as 17 horas.

• Evitar a permanência em viaturas expostas ao sol, principalmente nos períodos de maior calor, sobretudo em filas de trânsito e parques de estacionamento. Se o carro não tiver ar condicionado, não feche completamente as janelas. Levar água suficiente ou sumos de fruta naturais sem adição de açúcar, para a viagem e, parar para os beber. Sempre que possível viajar nos períodos mais frescos do dia.

• Nunca deixar crianças, doentes ou pessoas idosas dentro de veículos expostos ao sol.

• Sempre que possível, diminuir os esforços físicos e repousar frequentemente em locais à sombra, frescos e arejados. Evitar actividades que exijam esforço físico.

• Usar menos roupa na cama, sobretudo quando se tratar de bebés e de doentes acamados.

• Evitar que o calor entre dentro das habitações. Correr as persianas, ou portadas e manter o ar circulante dentro de casa. Ao entardecer, quando a temperatura no exterior for inferior àquela que se verifica no interior do edifício, provocar correntes de ar, tendo em atenção os efeitos prejudiciais desta situação.

• Não hesitar em pedir ajuda a um familiar ou a um vizinho no caso de se sentir mal com o calor.

• Informar-se periodicamente sobre o estado de saúde das pessoas isoladas, idosas, frágeis ou com dependência que vivam perto de si e ajudá-as a protegerem-se do calor.

• As pessoas idosas não devem ir à praia nos dias de grande calor. As crianças com menos de seis meses não devem ser sujeitas a exposição solar e deve evitar-se a exposição directa de crianças com menos de três anos. As radiações solares podem provocar queimaduras da pele, mesmo debaixo de um chapéu-de-sol; a água do mar e a areia da praia também reflectem os raios solares e estar dentro de água não evita as queimaduras solares das zonas expostas.


Estas ondas de calor poderão no futuro ser mais frequentes, são um impacto das mudanças climáticas devido ao aquecimento global provocado pela poluição, será importante incorporarmos que devemo-nos proteger e ajudar os mais debilitados a faze-lo também.

in Tribuna Pacense 30.07.2010 

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Radiação Solar



A sobrexposição despreocupada aos raios solares danifica seriamente a pele, mesmo que seja breve. Pode provocar queimaduras, alergias, insolações e, a longo prazo, destrói o património celular, envelhecendo-a. No limite, pode até causar cancro cutâneo. A maioria das pessoas só se lembra de se proteger do sol na praia, mas a verdade é que quando passeamos no campo ou preguiçamos numa esplanada, corremos os mesmos riscos.


Radiação solar é a designação dada à energia radiante emitida pelo Sol, em particular aquela que é transmitida sob a forma de radiação electromagnética. Cerca de metade desta energia é emitida como luz visível na parte de frequência mais alta do espectro electromagnético e o restante na banda do infravermelho próximo e como radiação ultravioleta.

Quando se fala de radiação ultravioleta (UV) fala-se, sobretudo, da radiação UVB e UVA, já que a radiação UVC (extremamente agressiva para a pele) é filtrada na sua maioria pela camada de ozono.


A radiação ultravioleta (UV) faz parte do espectro da radiação solar. A chamada radiação UV-B é a principal responsável pela formação de queimaduras na pele, cancro da pele, cataratas e muitos outros efeitos na saúde humana. A radiação solar UV-B que incide na atmosfera da Terra é absorvida principalmente pelo ozono estratosférico. No entanto, existem outros componentes atmosféricos que podem contribuir também para uma atenuação (por absorção e/ou por difusão) da radiação UV-B na atmosfera como as nuvens, o aerossol atmosférico e até o próprio ar.

A radiação UVB atinge as camadas superficiais da pele, nomeadamente a epiderme e derme superficial e é responsável pela vermelhidão, queimaduras solares e pela indução a médio e longo prazo de cancros de pele, sobretudo os carcinomas basocelular e espinocelular. A radiação UVA, que antigamente se pensava não ser tão agressiva, é hoje reconhecida pelo poder de penetração mais profundo na pele até à derme média e é a principal radiação responsável pelo fotoenvelhecimento precoce da pele, em particular pelas rugas e lentigos (‘manchas da idade’) sendo, provavelmente, das radiações mais importantes, não só na indução de carcinomas, sobretudo de melanoma (o cancro de pele mais temível, que se não for detectado e tratado precocemente poderá ser mortal).

O cancro de pele é geralmente desencadeado por lesões causadas pelo Sol.

Existem vários tipos de cancro da pele agrupados em dois grandes grupos:

melanoma - é o mais raro mas é responsável por 3 em cada 4 mortes por cancro de pele.



não-melanoma - é o mais comum e raramente pode causar a morte do paciente.

O último grupo inclui os carcinomas menos perigosos, mas que se podem tornar mais agressivos se não forem tratados precocemente. O cancro da pele pode atingir pessoas de todas as idades, mas é menos frequente nas crianças.

Estão mais predispostas aos cancros da pele:

• Pessoas cronicamente expostas ao Sol, como os trabalhadores do campo ou que trabalham ao ar livre, sob a radiação solar;

• Pessoas que tiveram inúmeras queimaduras solares/escaldões ao longo da vida principalmente se estas ocorreram em idades jovens (até aos 16 anos).

Como se faz prevenção do cancro de pele?

 evitar excesso de exposição ao Sol, especialmente entre as 11-16h;

 utilizar sempre protector solar adequado ao seu tipo de pele e que proteja dos raios nocivos, mesmo depois de já estar bronzeado;

 usar vestuário, chapéu e óculos de sol, principalmente entre as 11-16h;

 evitar que crianças e adolescentes com menos de 16 anos tenham queimaduras solares/escaldões, pois estes aumentam o risco de desenvolver cancro da pele em idades mais avançadas.

Os filtros solares (vulgo protectores solares) são substâncias destinadas a proteger a pele do sol (das radiações ultravioletas A e B). A curto prazo, eles protegem a pele de queimaduras e alergias solares e, a longo prazo, de envelhecimento e cancro de pele. O uso adequado de filtros solares implica:

- Aplicação abundante e uniforme 30 minutos antes da exposição solar.

- Reaplicação frequente (a cada 2 horas e mais frequente após exercícios físicos, mergulhos e transpiração excessiva).

- Não esquecer dos protectores labiais e óculos escuros.

Comecem por efectuar exposições ao sol de 15 a 20 minutos, que podem ser no jardim ou varanda, mas evitando os horários críticos. Em particular, das 12 às 16 horas, em que há forte incidência dos ultravioleta. A exposição ao sol deve ser precedida da aplicação de protector solar e os índices de protecção devem ser elevados.

Embora o bronzeado costume ser considerado um sinal de boa saúde e de uma vida activa e atlética, realmente constitui em si mesmo um perigo para a saúde. Qualquer exposição à luz ultravioleta A ou B pode alterar ou danificar a pele. A exposição prolongada à luz natural ou à artificial, que se usa nos centros de estética, podem provocar lesões crónicas na pele. Não existe um bronzeado seguro.

Nas férias, relaxe, brinque com os seus filhos, divirta-se, aproveite se puder das belezas do nosso País, mas protega-se.

in Tribuna Pacense a 15.07.2010