O Inverno está á porta, e com ele todo o glamour da época natalícia que se aproxima.
Entramos na época com características ambientais que afectam directa e/ou indirectamente a saúde das populações em geral e sobretudo de alguns grupos mais vulneráveis como as crianças, os idosos, os doentes crónicos e os sem abrigo. Não menos vulneráveis estão os indivíduos que têm redução da mobilidade, problemas de saúde mental, os que estão mais isolados, que estão em situação de exclusão social ou que têm ocupações ou hobbies que implicam uma exposição prolongada ao frio. É o período em que aumenta a incidência de gripes e resfriados e se agravam as doenças respiratórias nas populações, “enchendo e entupindo” os serviços de urgência/ saúde do nosso país, fruto de factores e situações de risco ambientais como as temperaturas baixas, o aumento da humidade e da pluviosidade, a neve e nevoeiro, maior queima de combustíveis sólidos ou líquidos para produção de calor.
As mudanças súbitas de temperatura, a inalação de ar frio e a convivência mais prolongada em ambientes fechados são condições favoráveis à irritação e inflamação das mucosas das vias aéreas superiores e à transmissão de vírus causadores de constipação, de gripe e de outras afecções respiratórias. No inverno são frequentes as agudizações de alergias, incluindo a asma e de outras doenças respiratórias crónicas; o frio agudiza as doenças de evolução prolongada, as músculo-esqueléticas (artrites) e a saúde mental.
A gripe é a infecção respiratória provocada pelo vírus influenza, com maior incidência nesta época, com forte sintomatologia de febre, dores musculares e tosse, sendo de evolução geralmente benigna e autolimitada. Normalmente manifesta mais complicações nos grupos mais vulneráveis, sendo recomendada a sua vacinação. Tem também um impacto social relevante, pelo absentismo escolar e laboral que originam custos colaterais significativos.
Este ano, pela primeira vez em Portugal, as pessoas residentes em lares e /ou internadas em unidades de cuidados continuados, os beneficiários do complemento solidário do idoso, e os profissionais de saúde a prestarem cuidados nas unidades de saúde primárias e hospitais vão receber gratuitamente a vacina, já disponível desde 1 de Outubro de 2010.
Recomendam-se certas medidas básicas para o frio que se aproxima e que passo a enumerar:
1 Manter abertas as entradas e saídas e ar, particularmente nas cozinhas e nas casa de banho;
2 Desobstruir e limpar as condutas ou chaminés dos meios de queima antes de iniciar a época do seu funcionamento;
3 Ventilar os espaços de maior e mais prolongada presença humana ou de animais de estimação;
4 Usar vestuário adequado á protecção contra o frio e a chuva, preferencialmente através do uso de várias camadas de roupa mais ligeira em vez de um vestuário muito pesado;
5 Manter o vestuário seco e trocá-lo quando molhado ou transpirado;
6 Em situações de frio intenso evitar ingerir bebidas alcoólicas, evitar cafés e tabaco e praticar uma alimentação saudável, com reforço de hidratos de carbono;
7 Na rua usar calçado isolante que limite a perda de calor e evitar molhar os pés e consequentemente o seu arrefecimento;
8 Conduzir tendo em atenção o estado do piso molhado e o grau de visibilidade diminuído, devido a nevoeiros e neblinas;
9 Respeitar as normas e instruções na instalação dos equipamentos de queima para aquecimento: lareiras, recuperadores de calor, salamandras, e outros, garantindo uma boa manutenção desses equipamentos e usá-los correctamente.
Com estas recomendações, considera-se que estarão asseguradas as condições para reduzir o impacto do inverno e por consequência, reduzir a mortalidade por gripe e, simultaneamente, minimizar o impacto negativo associado ao absentismo e ao aumento do consumo de recursos de saúde, aliás cada vez mais escassos.
PREVENIR É O REMÉDIO.
in Tribuna Pacense a 5.10.2010
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