O
Ministério da Saúde aumenta o salário dos médicos em troca de
mais trabalho.
O
regime passa para as 40 horas por semana, o que permite poupar em
horas extraordinárias e obriga os médicos de família a incluírem
na sua lista mais 400 doentes.
Desta
forma, pelas contas do ministro Paulo Macedo, no ano que vem haverá
mais de um milhão de portugueses que finalmente terão médico de
família.
O
acordo para os próximos dois anos prevê que para trabalharem 40
horas por semana os médicos vêem disparar o salário base. Se este
ano vai dos 1800 euros até aos três mil euros, a partir do ano que
vem o vencimento mínimo passa para 2770 (!) euros e o máximo vai
ultrapassar os cinco mil euros (!).
Deste
horário, os médicos têm de fazer 18 horas de urgência nos
hospitais e os médicos de família passam a ter cada um, em vez de
1500, até 1.900 utentes a cargo.
O
ministro da Saúde Paulo Macedo diz que, por isso, o Estado não vai
gastar mais.
“Este
acordo foi construído tendo como base a inexistência de um aumento
de custos para o Serviço Nacional de Saúde. Por isso, de facto, foi
difícil materializarmos este acordo ponto a ponto, uma vez que as
alterações que fizemos são estruturais”, disse.
Ao
contrário da restante Função Pública também vão ser contratados
mais dois mil médicos nos próximos dois anos e está desbloqueada a
progressão na carreira.
Tal
como os outros trabalhadores do Estado ficam com o corte de 50% no
trabalho suplementar.
A
mobilidade entra em vigor, mas só até 60 quilómetros de distância.
Os
sindicatos estão satisfeitos. Para Roque da Cunha, do Sindicato
Independente dos Médicos (SIM) ninguém perde nada. “Quem ganhou
hoje, muito sinceramente, foram os portugueses e o Serviço Nacional
de Saúde”.
Na
página do sindicato na internet explica-se que alguns aspectos do
novo regime entram em vigor gradualmente, dependendo das
disponibilidades orçamentais.
O
desfecho tantas vezes adiado foi possível graças a cedências de
ambas as partes e anunciado numa inesperada conferência de imprensa
convocada e realizada domingo à noite no Ministério da Saúde, na
presença dos representantes dos sindicatos.
Portanto,
das 40 horas de trabalho semanal 18 reservam-se ao trabalho de
urgência, o que significa a redução, automática, de um número
substancial de horas extraordinárias. Sobre as mesmas, não foram
avançados valores na conferência de imprensa.
Os
médicos vencem ainda a batalha da reestruturação das carreiras
médicas e vêem desbloqueados os concursos de admissão desta classe
ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). Para o efeito foi iniciado um
processo de abertura de concursos para início e progressão de
carreira até 2000 vagas, pelo Governo, o que segundo o Sindicato
Independente dos Médicos (SIM), “vai ainda permitir uma melhor
capacidade de formação dos internos e renovar o próprio Serviço
Nacional de Saúde”.
O
novo regime laboral entra em vigor a partir de 1 de Janeiro de 2013 e
a transição dos médicos para as 40 horas, em função da
necessidade do serviço e tendo em conta as disponibilidades
orçamentais das unidades de saúde, será finalizada até 2015.
Num
Governo passado um outro grupo profissional, os professores, também
conseguiram unir-se e alterar o que lhes queriam impor. Nesta batalha
os médicos saem aparentemente a ganhar, uma vez que a base de
remuneração situar-se-a nos 17 €/hora de entrada na carreira, num
momento onde todas as carreiras da função pública estão
congeladas. As horas extraordinárias já estavam a ser “cortadas”
por via de decretos de lei e o mercado privado vai cair a pique, pois
o bolso dos portugueses vai ficar ainda mais vazio.
Garantir
um bom contrato com o Estado será então uma prioridade para
qualquer clínico.
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