A Caixa Geral de Depósitos (CGD) concluiu, hoje, a venda da HPP
Saúde ao grupo brasileiro de saúde Amil, após a completa verificação das
condições administrativas e governamentais a que estava sujeita. A
alienação envolveu um valor global de 85,6 milhões de euros,
prevendo-se, segundo o banco estatal, um acréscimo potencial de seis
milhões de euros caso sejam atingidos determinados objectivos.
A operação deu seguimento ao memorando da 'troika' que exigiu a
alienação gradual por parte da CGD de participações em áreas de negócio
não directamente relacionadas com o seu objecto principal. Em
comunicado, a CGD recorda que a HPP Saúde tem seis hospitais em todo o
país (Hospital da Boavista, Hospital da Misericórdia de Sangalhos,
Hospital dos Lusíadas, Hospital de Santa Maria de Faro, Hospital de
Albufeira e Hospital São Gonçalo de Lagos) e a Clínica Fórum Algarve.
Para além das unidades hospitalares, a HPP Saúde gere ainda o Hospital
de Cascais em regime de parceria público-privada.
Para Norberto Rosa, vice-presidente da comissão executiva da CGD e
presidente do conselho de administração da Caixa Seguros e Saúde, "esta
operação reforça o sucesso que tem vindo a ser alcançado na alienação em
mercado de ativos nacionais, atraindo o interesse de diversos
investidores, num contexto particularmente desafiante que a economia
nacional vive", acrescentando que "estamos muito satisfeitos, sobretudo
porque o novo acionista da HPP Saúde, demonstrou, desde o início, o seu
comprometimento no desenvolvimento deste projeto e na valorização da
qualidade e capacidade dos quadros da HPP Saúde.
Os brasileiros da Amil ficaram, no âmbito da compra realizada da HPP,
a entidade de saúde do grupo CGD, com a exploração e gestão do Hospital
de Cascais. Os ministérios das Finanças e da Saúde aprovaram também a
transferência dessa PPP (parceria público-privada) para a Amil
Participações que cedeu a sua posição contratual para a Amil
Internacional, uma entidade controlada indirectamente pelo grupo
brasileiro.
Para o efeito, o Estado garantiu que "foram concretizadas todas as
operações necessárias à redução do endividamento da HPP Cascais, de modo
a que esta entidade deixasse de ter capitais próprios negativos",
adianta o despacho, hoje publicado, que autoriza a mudança contratual
para a Amil.
O Executivo garante que Amil Participações assumiu "o compromisso de
acompanhar permanentemente a situação financeira das suas participadas,
bem como de dotar a Amil International, dos meios financeiros
necessários ao pontual cumprimento das obrigações emergentes do contrato
de gestão". No despacho, o ministro da Saúde dá conta que o grupo
brasileiro assumiu ainda o compromisso de "não transmitir a participação
por si indirectamente detida na Ami Internacional, o durante a vigência
do contrato de gestão, sem previamente solicitar autorização à entidade
pública contratante".
A escolha recaiu, em Outubro de 2012, no grupo Amil, o maior operador
de saúde do Brasil, depois de resolvido o problema com o Hospital de
Cascais. Isto porque esta unidade hospitalar foi construída em regime de
PPP, o que significa que o concessionário tem a obrigatoriedade de
ficar vinculado ao Sistema Nacional de Saúde (SNS) até ao final do
contrato. Na corrida estiveram também a Espírito Santo Saúde, detentora
de vários hospitais privados (como por exemplo, o Hospital da Luz) e a
Frontino, um fundo de investimento encabeçado por Jaime Antunes, em
parceria com investidores angolanos.

Sem comentários:
Enviar um comentário