Estudo
do Health Cluster Portugal defende que os utentes devem ser livres de
escolher o seu médico de família e apela à criação da marca
“Saúde Portugal”.
O
estudo propõe cinco medidas para reforçar a competitividade do
sector da saúde.
Deixar
que os cidadãos escolham livremente o centro de saúde e o seu
médico de família e possibilitar o encerramento de unidades e
serviços sem qualidade ou viabilidade económica são algumas das
propostas de um estudo promovido pelo Health Cluster Portugal (HCP)
apresentado esta terça em Lisboa.
Elaborado
pela Porto Business School a pedido do HCP, o estudo O
Sector da Saúde: da Racionalização à Excelência
propõe cinco medidas para reforçar a competitividade deste sector e
“garantir a sua sustentabilidade”. Uma das sugestões passa pela
criação da marca “Saúde Portugal”.
Antecipando o impacto da entrada em vigor da directiva comunitária sobre os cuidados de saúde transfronteiriços, os coordenadores do estudo preconizam o aumento da concorrência entre os prestadores de serviços de saúde, o que pressupõe a possibilidade de “eliminar os prestadores menos eficientes”.
A escolha das unidades a encerrar ficará nas mãos de uma entidade independente, à semelhança do que aconteceu no Reino Unido, explicam. Até porque a decisão de encerramento das unidades não pode ficar dependente de pressões políticas, e deve ter como base questões de “viabilidade económica, de cumprimento de padrões de qualidade e de garantia de condições de igualdade de acesso”, justificam. O processo deve ser iniciado nos cuidados de saúde primários para mais tarde avançar para os hospitais e arrancar nos principais centros urbanos, onde poderá existir um excesso de capacidade instalada, defendem.
Sugerem ainda uma alteração na forma de financiamento, ficando os centros de saúde responsáveis pelas despesas dos respectivos utentes (dentro de um pacote de serviços pré-definido). Uma medida que, crêem, incentivará os prestadores a oferecer serviços de qualidade a baixo custo e a não encaminhar desnecessariamente os doentes para os hospitais.
Outra das medidas propostas passa pela concentração de recursos humanos e financeiros em subclusters especializados em nichos de mercado diferenciados. “Experiências semelhantes foram adoptadas em França, onde o Pôle de Compétivité Cancer-Bio-Santé tem em curso quatro actividades estratégicas no domínio da prevenção, diagnóstico e tratamento do cancro”, exemplificam.
Notando que o sector das ciências da saúde é um dos que têm maior potencial de crescimento no país, defendem ainda o desenvolvimento de um conjunto de iniciativas integradas que permitam que Portugal seja percepcionado no exterior como um país de referência no sector da saúde, tendo em conta a directiva comunitária que em breve vai permitir a livre circulação de doentes dentro do mercado europeu.
Para preparar o país para esta alteração, é necessário “alterar a percepção que existe sobre a qualidade do sistema de saúde”. Vários países têm conseguido reforçar o seu posicionamento a este nível, lembram, destacando a experiência da Suécia, Singapura, Coreia do Sul e Turquia.
Por último, recomendam o desenvolvimento de sistemas de informação bem estruturados “que produzam em tempo útil indicadores de qualidade”.
Certamente
o Ministro da Saude Paulo
Macedo, estará atento, “um ministro contra a corrente”, como
alguém já o definiu, à falta de melhor.
Uma
trajectória política manchada por múltiplos e variados desaires:
transplantação e dadores benévolos (inabilidade política),
aumento abrupto das taxas moderadoras (pressão da troika), gestão
dos
hospitais (sem jeito nem arte), cuidados saúde primários
(prioridade esquecida), milhões de euros de cortes a eito (sem
estratégia a reboque da troika), prejuízo do acesso aos cuidados de
saúde (à custa da subida abrupta, insensata, das taxas
moderadoras). O rol é extenso.
Enquanto
lança aos quatro ventos que a Saúde vai ser poupada (à sanha
liberal dos seus colegas de governo, entenda-se), PM, o salvador do
SNS, como a propaganda o quer fazer passar, parece entregue à sua
sorte. Reforma dos hospitais? Falta de plano, tempo curto (vontade
pouca) não auguram nada de bom (oportunidade desperdiçada).
Extinção da ADSE ? A inginheira da luz não deixa (em defesa do
negócio). Médico de família para todos os portugueses? O processo
de expurgo parece embrulhado (acontece a quem não conhece e não
sabe lidar com o terreno). Construção do Hospital de Todos os
Santos ? Foi nomeado grupo de trabalho para estudar o tema
(legislatura curta para a redenção). Reforma do medicamento?
Indústria e farmácias arrasadas (mais cortes a eito).
Paulo
Macedo, ministro da saúde, prá história ? Talvez, na decepção e
arte de bem encanar a perna à râ, de estudo em estudo mas sem
decisão em termo util.

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