quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Da entrevista a Isabel Vaz da ESS

Em recente entrevista no jornal Expresso a responsável pelo Grupo Espírito Santo Saúde, Engª Isabel Vaz, afirma que sobre a reforma hospitalar ”...Só vejo grupos de estudo. Dois anos e não há plano para a reestruturação. O Santa Maria está numa situação catastrófica, é o maior do país, além das responsabilidades de ensino...”, o ministério “...Teve capacidade de exigir ao sector privado que reformule o seu funcionamento e isso está a acontecer. Tenho pena que esta mesma pressão não esteja a acontecer internamente....”.
Uma confissão surpreendente (porque assumida pela primeira vez): a dependência da ADSE ao nível do risco de sobrevivência. “A ESS tem interesses brutais nesse tema, como todos sabem. No curto prazo seria um desastre orçamental porque, em 2011, a ADSE representou na rede privada €490 milhões dos quais 65% financiados pelos beneficiários, e este valor teria de ser gasto pelo Estado na mesma. No longo prazo, é também um grande disparate, é ceder a mais um interesse do lóbi prestador público, que está aflito de doentes. Neste momento a ADSE dá liberdade de escolha entre público e privado. Porque é que os portugueses em geral não exigem isso aos políticos e permitem nivelar por baixo, numa guerra intestina contra os funcionários públicos?”
Quanto à ADSE sabemos bem que os interesses são brutais, dela e dos outros hospitais privados. Porque são a maioria dos doentes? Nada disso, porém a maior parte do lucro vem desses doentes, já que a ADSE não tem controlado nada permitindo facturação generosa e tudo pagando: o desnecessário, o excessivo, o indevido desde que mascarado de consultas.
Tudo bem quanto á liberdade de escolha orientada pelo médico, entre hospitais públicos, que agora não se consegue no SNS, ou privados, mas para produtos semelhantes, com a mesma qualidade e segurança, que nem sempre é o caso.
Surge como campeã da liberdade de escolha esquecendo alguns pormenores: Se não fosse a ERS continuaria a tratar no hospital da luz os doentes da ADSE como de segunda; Que quando se trata de cancro ou outra doença «pesada» a liberdade do doente acaba logo que o plafond se esgota, seguindo-se a transferência para o SNS. Essa liberdade é a dos interesses brutais.
Na ADSE a liberdade de escolha pode resultar em prejuízo do utente, dado estarmos longe de um mercado de concorrência perfeita. Não existe soberania do consumidor, o qual tem informação insuficiente sobre o mercado, o produto e os resultados. Fragilizado pela doença e pela dependência do médico, seu “agente”, a sua escolha não é soberana. A ausência de referência médica, combinada com a livre escolha e liberta do preço, induz consumismo, acréscimo de custos e riscos adicionais para o doente.
Mas isso que interessa!
Neste momento o mais importante para os grupos privados é procurar estender a filosofia seguro-saúde contida nos subsistemas a todo o SNS. Há pois que fazer dourar a pílula.

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