“Ao
longo do ano, vão entrar em funcionamento mais de 30 unidades de
cuidados continuados, já prontas e que não abriam por falta de
verbas, com 1169 lugares. Em espera, há 1410 doentes, metade em
Lisboa.
A expansão da Rede
Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) vai fazer-se,
este ano, apenas com as unidades já concluídas ou em vias de ficar.
Não está prevista a construção de novas estruturas. Depois de em
2012 apenas terem sido disponibilizados 316 lugares, janeiro arrancou
com 44 novas camas e , até ao fim do ano, são mais 1169. Das mais
de 30 estruturas com luz verde para abrir portas, 15 estão
localizadas na região de Lisboa e Vale do Tejo e 11 no Norte e vão
disponibilizar, respetivamente, 483 e 437 novos lugares, a maioria em
unidades de média e longa duração. Mesmo que entrassem já na Rede
todos os lugares previstos para este ano, não seriam suficientes
para atender às atuais necessidades.
Aguardavam
por vaga 1410 doentes que precisam de internamento em unidades de
convalescença, média duração e reabilitação, longa duração e
manutenção e cuidados paliativos.
Só
na região de Lisboa, concentra-se quase metade dos pedidos. O Norte
tem actualmente 265 doentes em espera, menos do que os 437 lugares
que serão disponibilizados este ano, mas a abertura de novas
unidades deve fazer disparar a procura. No Algarve, o número de
camas previstas (70) também é superior aos doentes atualmente em
espera.
Situação inversa
verifica-se no Alentejo, onde 230 doentes aguardam por vaga e não
está prevista qualquer abertura, de acordo com o Ministério da
Saúde, apesar de existirem pelo menos duas unidades com 60 camas,
prontas para entrar na Rede. Uma delas, a de Serpa, faz parte de um
lote de cerca de 20 construídas pelas misericórdias, incentivadas
pelo governo, e que estão paradas por falta de contratualização de
serviços.”
Esta notícia de á uns
dias atrás deixa alguma perplexidade na acção do Estado: se por um
lado o mesmo Estado incentiva a construção de unidades de Cuidados
Continuados, a fundo perdido até 700 000 € (!) por unidade criada;
por outro não contratualiza serviços, ficando os investimentos
realizados literalmente às “moscas”.
Estas situações
infelizmente não se restringem apenas à Saúde, existem inúmeros
equipamentos Sociais que tiveram apoio para a sua construção,
adaptação ou ampliação, seja pelo QREN, ProDer, PARES ou outros
programas tipo, mas que depois ficam abandonados á sua sorte.
Devemos ter politicas
não de incentivos mas de sustentabilidade dos projectos. Sejam de
que tipologia se tratar. Só projectos sustentáveis devem ser
incentivados e de uma forma global e não apenas no investimento das
infra-estruturas iniciais.

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