quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Estado, serviço de luxo a baixo custo...

Por trás da “Reforma” do Estado não está nenhuma visão do conjunto, mas antes um preconceito ideológico contra o Estado Social e a favor de um estado mínimo.”
Adivinhe quem é o autor desta frase que se transcreve. Estou certo que dificilmente indicaria o nome de Freitas do Amaral, mas é dele mesmo fazendo parte de um artigo sobre a Reforma do Estado publicado na Visão.

O estado mínimo é mesmo a ambição maior deste governo, objectivo que é percepcionado por um leque cada vez mais alargado da sociedade, que se demarca e toma posição contrária.

O governo sabe disso e toma a atitude de “fuga para a frente”, comportamento habitual nestas situações. Foi isso mesmo que se passou com a dita ida aos mercados para venda de dívida nacional. Colocada a um juro superior ao que estamos a pagar pelo empréstimo de resgate, esta vitória de Pirro vem sendo utilizada para mostrar estarem no rumo certo e que rapidamente recuperaremos a soberania financeira perdida.

O problema é que nem os portugueses são estúpidos nem os mercados são ingénuos. Todos sabem que a política deste governo nos tem conduzido a um maior endividamento, com um deficit longe de estar controlado, uma economia destroçada, uma taxa de desemprego em crescimento e a uma nação de ânimo deprimido e esgotada em impostos. Se algo mudou na percepção do capital financeiro internacional relativamente ao País, deve-se tão só à garantia dada pelo “hipotecário”, o Presidente do Banco Central Europeu, de não deixar cair nenhum país da Zona Euro.

Está o governo convencido que com esta manobra propagandística irá conseguir, sem sobressaltos, impor o corte de 4 mil milhões de euros nas áreas sociais, conseguindo assim o almejado estado mínimo. Esquece-se porém que o peso sobre o comum dos portugueses não pára de aumentar e que este suplício não só não é aliviado por manobras publicitárias como desperta consciências, mesmo em áreas politicas que lhe são próximas.

SNS, serviço de luxo a baixo custo

Constantino Sakellarides falava no primeiro de um ciclo de encontros locais que visam preparar o I Congresso do SNS, previsto para setembro, em que advertiu para a ideia errada que pode ser transmitida por algumas notícias, como a que foi publicada pelo jornal "Expresso".

O "Expresso" ouviu gestores e especialistas do setor e noticia que "SNS é bem essencial pago a preço de luxo", título que mereceu a discordância de Sakellarides. 
 
"Se nós temos um PIB baixo e que cresceu muito menos do que o PIB de outros países com que nos comparamos, a percentagem do PIB eleva-se, não por gastarmos muito mas porque o PIB é baixo e por termos crescido pouco", justificou.


Por sua vez, Laranja Pontes, presidente do IPO do Porto, num debate que decorreu na FNAC do NorteShopping, a 18 de Janeiro, promovido pela "Europacolon Portugal – Associação de Luta Contra o Cancro do Intestino", sobre «Acessibilidade aos medicamentos na doença oncológica» negou que os custos da Saúde tenham aumentado muito em Portugal, esclarecendo: «No princípio dos anos 80 gastávamos 4% do PIB em saúde, 20 anos depois (no ano 2000) gastávamos 6,6% do PIB. Ou seja, em duas décadas subimos 2%, o que representa mais ou menos 0,1% do PIB/ano». Laranja Pontes lembraria ainda que a incidência da mortalidade infantil em Portugal, que atingia quase de 30 por cada mil nados vivos, atingiu as cinco médias melhores do Mundo. «Temos uma mortalidade infantil das melhores do Mundo, uma sobrevida em cancro igual à média europeia», sublinhou, admitindo que «os custos da saúde em Portugal representam metade dos da Alemanha».
«Conseguimos os mesmos resultados em saúde que a Alemanha, por exemplo, por metade do preço.» 

Todas estas conquistas poderão estar em causa se deixarmos que estas politicas de cortes sobre cortes se perpetuem. Estejamos alertas.

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