“Por
trás da “Reforma” do Estado não está nenhuma visão do
conjunto, mas antes um preconceito ideológico contra o Estado Social
e a favor de um estado mínimo.”
Adivinhe
quem é o autor desta frase que se transcreve. Estou certo que
dificilmente indicaria o nome de Freitas do Amaral, mas é dele mesmo
fazendo parte de um artigo sobre a Reforma do Estado publicado na
Visão.
O
estado mínimo é mesmo a ambição maior deste governo, objectivo
que é percepcionado por um leque cada vez mais alargado da
sociedade, que se demarca e toma posição contrária.
O
governo sabe disso e toma a atitude de “fuga para a frente”,
comportamento habitual nestas situações. Foi isso mesmo que se
passou com a dita ida aos mercados para venda de dívida nacional.
Colocada a um juro superior ao que estamos a pagar pelo empréstimo
de resgate, esta vitória de Pirro vem sendo utilizada para mostrar
estarem no rumo certo e que rapidamente recuperaremos a soberania
financeira perdida.
O
problema é que nem os portugueses são estúpidos nem os mercados
são ingénuos. Todos sabem que a política deste governo nos tem
conduzido a um maior endividamento, com um deficit longe de estar
controlado, uma economia destroçada, uma taxa de desemprego em
crescimento e a uma nação de ânimo deprimido e esgotada em
impostos. Se algo mudou na percepção do capital financeiro
internacional relativamente ao País, deve-se tão só à garantia
dada pelo “hipotecário”, o Presidente do Banco Central Europeu,
de não deixar cair nenhum país da Zona Euro.
Está
o governo convencido que com esta manobra propagandística irá
conseguir, sem sobressaltos, impor o corte de 4 mil milhões de euros
nas áreas sociais, conseguindo assim o almejado estado mínimo.
Esquece-se porém que o peso sobre o comum dos portugueses não pára
de aumentar e que este suplício não só não é aliviado por
manobras publicitárias como desperta consciências, mesmo em áreas
politicas que lhe são próximas.
SNS, serviço de luxo a baixo custo
Constantino
Sakellarides falava no primeiro de um ciclo de encontros locais que
visam preparar o I Congresso do SNS, previsto para setembro, em que
advertiu para a ideia errada que pode ser transmitida por algumas
notícias, como a que foi publicada pelo jornal "Expresso".
O
"Expresso" ouviu gestores e especialistas do setor e
noticia que "SNS é bem essencial pago a preço de luxo",
título que mereceu a discordância de Sakellarides.
"Se
nós temos um PIB baixo e que cresceu muito menos do que o PIB de
outros países com que nos comparamos, a percentagem do PIB eleva-se,
não por gastarmos muito mas porque o PIB é baixo e por termos
crescido pouco", justificou.
Por
sua vez, Laranja Pontes, presidente do IPO do Porto, num debate que
decorreu na FNAC do NorteShopping, a 18 de Janeiro, promovido pela
"Europacolon Portugal – Associação de Luta Contra o Cancro
do Intestino", sobre «Acessibilidade aos medicamentos na doença
oncológica» negou que os custos da Saúde tenham aumentado muito em
Portugal, esclarecendo: «No princípio dos anos 80 gastávamos 4% do
PIB em saúde, 20 anos depois (no ano 2000) gastávamos 6,6% do PIB.
Ou seja, em duas décadas subimos 2%, o que representa mais ou menos
0,1% do PIB/ano». Laranja Pontes lembraria ainda que a incidência
da mortalidade infantil em Portugal, que atingia quase de 30 por cada
mil nados vivos, atingiu as cinco médias melhores do Mundo. «Temos
uma mortalidade infantil das melhores do Mundo, uma sobrevida em
cancro igual à média europeia», sublinhou, admitindo que «os
custos da saúde em Portugal representam metade dos da Alemanha».
«Conseguimos
os mesmos resultados em saúde que a Alemanha, por exemplo, por
metade do preço.»
Todas
estas conquistas poderão estar em causa se deixarmos que estas
politicas de cortes sobre cortes se perpetuem. Estejamos alertas.
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