segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Plama Sanguinio para o lixo

A incapacidade de armazenamento é o que dita a destruição do plasma
Portugal continua a desperdiçar milhares de unidades do plasma separado do sangue colhido junto dos dadores, apesar de, em Outubro do ano passado, ter sido garantido que isso tinha deixado de acontecer.
O PÚBLICO teve acesso a documentos internos do Instituto Português do Sangue (IPS) segundo os quais milhares de unidades deste componente do sangue são inutilizadas por "incapacidade de armazenamento".

No Verão do ano passado, veio a público a notícia de que, apesar de o IPS dispor, em Lisboa, de câmaras de frio para conservar o plasma desde 2002, estas estavam a ser usadas como armazém para guardar, por exemplo, papéis, e este componente do sangue ia para o lixo, como noticiou em Junho o Jornal de Notícias.

Em Outubro, o então presidente do IPS, Álvaro Beleza, veio garantir que o problema tinha sido resolvido: "Todo o plasma português está a ser aproveitado. Iniciámos, há uma semana, o processo de inactivação, a pedido. Iremos fornecer plasma inactivado à Pediatria e à Oncologia, sempre que os hospitais nos solicitarem", disse na TSF.

Porém, a documentação interna a que o PÚBLICO teve acesso dá conta de cerca de 20 mil unidades inutilizadas só no mês de Outubro do ano passado nos três centros regionais do sangue (Lisboa, Porto e Coimbra), e valores da mesma ordem também em Dezembro do ano passado. Num dos mapas de produção, lê-se na coluna dos "componentes inutilizados" relativa ao plasma a razão para o não aproveitamento: "incapacidade de armazenamento". Cada bolsa tem entre 180 a 250 mililitros de plasma.

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