Auditoria
identifica médicos em "situação de conflito de interesses"
O
Tribunal de Contas identificou médicos que encaminhavam crianças da
Maternidade Alfredo da Costa para serem operadas no Hospital da Cruz
Vermelha, onde também trabalhavam, o que representa uma "situação
de conflito de interesses".
O
caso é relatado numa auditoria de seguimento das recomendações do
Tribunal de Contas à execução do acordo de cooperação entre a
Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e a
sociedade que explora o Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa (HCV).
O
Tribunal recorda que os utentes da Maternidade Alfredo da Costa (MAC)
que necessitavam eram previamente observados, na MAC, por
"especialistas de cardiologia pediátrica, em regime de
prestação de serviços".
"Estes
especialistas averiguavam a necessidade de correção cirúrgica ou
de internamento específico num serviço de cardiologia pediátrica",
inexistente na MAC.
Estes
contratos de prestação de serviços, "ao abrigo dos quais
aqueles especialistas exerciam funções na MAC, foram celebrados
entre esta e a MPM - Consultadoria e Gestão" e "o seu
período de vigência decorreu entre maio de 2009 e dezembro de
2011".
"O
representante legal da MPM - Consultadoria e Gestão, que assinou o
contrato de prestação de serviços é acionista, presidente da
Comissão Executiva e diretor clínico da CVP -Sociedade de Gestão
Hospitalar [que gere o HCV], além de integrar o corpo clínico desta
sociedade", lê-se no documento.
Segundo
o Tribunal, "também especialistas de cardiologia pediátrica
que asseguraram a prestação de serviços da MPM integram o corpo
clínico da CVP, tendo intervindo, na MAC, em procedimentos de
referenciação em que estão em causa interesses da sociedade de
gestão".
"Trata-se
de uma situação de conflito de interesses que, além de ser
suscetível de comprometer a isenção e o rigor do processo de
referenciação dos utentes, viola o estabelecido nos acordos de
cooperação relativamente aos recursos humanos da CVP - Sociedade de
Gestão Hospitalar que impedem o exercício simultâneo de atividades
em estabelecimentos do SNS".
O
Tribunal verificou ainda que, entre 2009 e 2011, "continuaram a
existir referenciações de utentes pelo Hospital Prof. Doutor
Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), no âmbito dos acordos de
cooperação, com a participação de outro médico especialista, em
regime de prestação de serviços, que exerce atividade simultânea"
no Hospital da Cruz Vermelha.
Nesses
anos, prossegue o Tribunal confirmou-se "a presença de outros
dois prestadores de serviços no Hospital Prof. Doutor Fernando
Fonseca na mesma situação de exercício simultâneo de atividade
neste hospital e no Hospital" da Cruz Vermelha, em "violação
dos acordos de cooperação, embora não tenham sido identificados
como intervenientes nos processos de referenciação".
Hospitais
públicos (MAC, Amadora-Sintra) e um privado com participação do
Estado (CVM) e uma empresa privada de contratação de consultoria e
gestão (MPM) cujo representante legal é acionista, presidente da
Comissão Executiva e diretor clínico da CVP -Sociedade de Gestão
Hospitalar [que gere o HCV], além de integrar o corpo clínico desta
sociedade & médicos público/privados.
Uma
autêntica mixórdia de interesses. Dito de outra forma, a
promiscuidade público/privado ao seu melhor nível!

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