quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Misericórdias reforçam papel no setor da saúde

O Governo aprovou as linhas mestras para os processos de devolução dos hospitais às misericórdias, em que se inclui, além do acordo mútuo uma condição financeira essencial: o futuro custo para o Estado terá que ser sempre 25% inferior ao que tem hoje.


De acordo com o ministro da Saúde, foram estabelecidos alguns critérios para essa “eventual devolução”: “Tem que haver acordo entre as partes, tem que haver interesse mútuo e tem que haver redução de encargos para o Estado de pelo menos 25% face àquilo que o Estado hoje despende com essa mesma prestação”, enumerou Paulo Macedo.


Estas regras estão incluídas num diploma aprovado que define as formas de articulação do Ministério da Saúde e dos estabelecimentos e serviços do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com as instituições particulares de solidariedade social, “estabelecendo um modelo de partilha mais efectiva de responsabilidades entre os vários intervenientes”.


O ministro prevê que após a promulgação do diploma, em Outubro, possam começar as negociações com as misericórdias sobre cada um dos hospitais em concreto e os requisitos exigidos pelo Estado, como é o caso dos investimentos que as misericórdias terão que realizar, os níveis de produção e qualidade a cumprir ou o tipo de gestão, enumerou Paulo Macedo.


O que esperamos é que em 2014 possamos ter celebrados os primeiros acordos.”

Em Conselho de Ministros o Governo aprovou também o novo regime sobre a forma de contratação pelo Estado com os operadores privados para a prestação de cuidados de saúde na área dos meios complementares de diagnóstico, as chamadas convenções. O ministério de Paulo Macedo quer um novo regime das convenções “mais flexível”, passando estas a ter um âmbito regional ou nacional e podem passar a feitas através de contrato de adesão ou por concurso público.


A abertura de novos concursos para as convenções será faseada, respeitando o cumprimento dos contratos que estão em vigor, mas o ministro conta lançar os primeiros concursos dentro de um ano.


O processo de transferência de gestão de hospitais públicos para as mãos das Misericórdias deverá começar em Janeiro de 2014. O presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel Lemos, diz que a experiência será feita inicialmente em três ou quatro hospitais.

Eles são 30 e nós estamos falar, num primeiro momento, em fazermos uma primeira experiência com três ou quatro hospitais”, revela o presidente da União das Misericórdias.

A lista de hospitais cuja gestão poderá passar para as Misericórdias ainda não foi divulgada, mas o hospital de Barcelos tem sido um dos casos apontados cuja gestão poderá ser transferida. Manuel Lemos garante ainda que, caso essa transferência de gestão aconteça, a União das Misericórdias garante que consegue assegurar uma redução de custos para o Estado em pelo menos 25%.


Aquilo que as Misericórdias acordaram com o senhor ministro e que estamos na disposição de cumprir é: para a mesma produção, reduzirmos 25%.”

O presidente da União das Misericórdias diz ser “perfeitamente possível” fazê-lo, sem diminuir a qualidade. “Quero crer que vai ser uma satisfação para os utentes, porque não vão ter diminuição daquilo que lhes é prestado actualmente, para os trabalhadores e para o Estado português.”


A redução de 25% da despesa do Estado é uma das condições impostas pelo ministro da Saúde para que possa existir transferência da gestão dos hospitais públicos para as Misericórdias. 

Outra condição, segundo disse Paulo Macedo, é que os hospitais cuja gestão for entregue às Misericórdias mantenham os serviços actualmente prestados no âmbito do Serviço Nacional de Saúde. 
 
Alguns autarcas, como o de Fafe já se manifestaram contra esta medida que esta a ser negociada. Sera um retorno ao modelo pós 25 de Abril? A ver vamos...

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