A
Entidade Reguladora da Saúde recomenda ao Ministério da Saúde uma
reavaliação do contrato de gestão do Centro de Reabilitação do
Norte assinado com a Misericórdia do Porto permitindo a análise de
outras propostas que o mercado possa oferecer.
Num
parecer divulgado a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) admite que o
acordo de gestão celebrado entre a Administração Regional de Saúde
do Norte (ARSN) e a Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP) para
a exploração do Centro de Reabilitação do Norte (CRN) tem
enquadramento legal no Decreto-Lei n.º 138/2013, de 9 de Outubro.
Contudo,
a ERS recomenda que durante os três anos de duração do acordo
celebrado com a SCMP, o Ministério da Saúde reavalie as condições
de funcionamento do CRN no sentido de aferir da necessidade de manter
um modelo de gestão assente em concessão a operador não público
face a um modelo em que a gestão seja assegurada por entidade
pública.
E
a manter-se a opção por concessão da gestão a operador não
público, A ERS recomenda que “o Ministério da Saúde acautele
temporalmente o início de um procedimento de contratação mais
exigente que permita, no final daquele prazo, avaliar a eventual
renovação do acordo contra outras propostas de gestão que o
mercado possa oferecer, pressuposto, aliás, referido pela própria
ARSN na sua argumentação em favor do acordo celebrado”.
A
ERS entende que a ARSN, enquanto entidade contratante, deveria ter
apresentado “um estudo que avalie a economia, eficácia e
eficiência do acordo, bem como a sua sustentabilidade financeira”.
Não
obstante o facto de o regime do Decreto-Lei n.º 138/2013, de 9 de
Outubro, não impor um mecanismo de concorrência no acesso à
contratação com o SNS, “o Ministério da Saúde e suas estruturas
poderiam ser mais activos na promoção da concorrência e na
pesquisa de soluções mais vantajosas, na medida em que a opção
por este regime não é a única possível”, lê-se no parecer.
“Aliás,
tal opção deverá ser especialmente fundamentada, porquanto ela
implica excluir-se da concorrência a escolha de um parceiro privado
para a gestão de um bem público, significando sempre, e ainda que
de uma forma enquadrada legalmente, uma compressão dos princípios
da transparência, da igualdade de oportunidade e da concorrência”,
acrescenta.
O
contrato entre a ARSN e a SCMP foi celebrado em 26 de Novembro de
2013 no formato de acordo de gestão pelo período de três anos.
A
ARSN enviou à ERS um documento onde avalia positivamente a proposta
da SCMP sob diversas ópticas, designadamente a económico-financeira.
Como
argumentos para a proposta de celebração de acordo de gestão com a
SCMP, a ARSN refere a sua “disponibilidade de recursos humanos e
experiência na prestação de cuidados de saúde, os preços
oferecidos determinarem encargos cerca de 41% inferiores ao que
aconteceria com os preços praticados no Centro de Medicina de
Reabilitação do Sul e diversas outras vantagens financeiras”.
Entre
essas vantagens contam-se a disponibilidade da SCMP para suportar um
investimento inicial no valor de seis milhões de euros, a fixação
de um horizonte temporal de três anos, considerado pela ARSN como
reduzido sob ponto de vista do comprometimento do Estado com o
concessionário e a necessidade de se recorrer a um procedimento
pré-contratual célere cuja tramitação não prejudique o prazo da
abertura do CRN.
Faz
o que eu digo, não faças o que eu faço
Depois
do conhecimento público através de uma reportagem da SIC do caso
Sanfil, um pequeno grupo privado responsável pela realização de
13,5% das cirurgias do programa SIGIC, alegadas cobranças ilegais à
ADSE e ligações ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o
Ministério da Saúde fez saber que “defende a introdução de
regras mais transparentes para garantir a separação do público e
privado e evitar os conflitos de interesses”. Na celebração do
acordo de gestão com a SCMP a decisão apressada do MS, ao arrepio
dos princípios da transparência, da igualdade de oportunidade e da
concorrência, contrasta com as suas profissões de fé de ocasião.
Outra novela mais a Norte, ´e o caso do Hospital de S. Martinho, com
ligações pouco claras com o então deputado e agora secretario de
estado Agostinho Branquinho.
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