Comissão Europeia alerta que os cortes no sector da saúde podem vir a aumentar a despesa no médio e longo prazo.
Diz o povo que o barato sai caro. Segundo a Comissão Europeia,
existe o risco desta expressão popular se estar a verificar nos países
mais afectados pela crise e que estão a fazer uma forte redução de
custos no sector da saúde, que consome uma fatia importante da despesa
pública. Um relatório, divulgado ontem pelo executivo comunitário,
aponta um total de despesa adicional na ordem dos "13% a 16% em custos
hospitalares" - um euro em cada sete gastos - como resultado de
complicações provocadas no hospital e má assistência médica em geral.
A ideia patente no relatório é de que o desinvestimento em prevenção,
o corte de custos nos cuidados de saúde primários e o racionamento de
meios de diagnóstico e terapêutica podem poupar dinheiro no curto prazo
mas acabarão por elevar a despesa no médio e longo prazo. Isto porque os
doentes acabam por regressar aos hospitais - o que já por si tem custos
mais elevados que os centros de saúde - em estados mais avançados da
doença e onde, muitas vezes, acabam por contrair outras patologias.
Despesa desnecessária, que pode ser evitada, e que se relaciona
directamente com cortes pouco inteligentes.
"A redução de recursos não devia comprometer a segurança do doente e a
qualidade do atendimento, não só para o bem do doente, mas também
porque as evidências mostram que os cuidados de saúde associados a danos
[maiores] têm custos adicionais", explica o relatório sobre "Segurança
do paciente". Além desse acréscimo de despesa, "os custos de tratamento
pelo desdobramentos desses eventos médicos - que não estão incluídos nos
custos hospitalares - têm de ser tidos em conta para se ter um quadro
completo", acrescenta Bruxelas.
Esta é uma realidade muito própria dos
países mais afectados pela crise e que têm sido pressionados pelas
instâncias internacionais, entre as quais a CE, a reduzir custos na
saúde.

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