1. Nos países da América do Norte, onde a interrupção voluntária da gravidez, também é consentida, uma revista da Associação Médica do Canadá defendeu, que os médicos não deveriam revelar o sexo do bebé antes das 30 semanas de gravidez, para evitar o aborto selectivo de meninas. No seu mais recente número, a publicação assinala que o Canadá se converteu num paraíso para os pais que desejam abortar bebés do sexo feminino devido à sua predilecção por filhos varões. Os casos ocorrem entre os imigrantes asiáticos, principalmente da Índia e da China, onde a prática é elevada. O editorial da revista, citado pela agência Efe, refere que, devido a uma variedade de factores, incluindo o fácil acesso a abortos e serviços de determinação do sexo do bebé, a interrupção voluntária da gravidez selectiva disparou no Canadá, bem como nos Estados Unidos. Aqui por terras lusas, quem está doente paga taxas e mais taxas, mas quem faz uma interrupção voluntária de gravidez não paga qualquer taxa!
Mas segundo o Ministro da Saúde “Pode-se melhorar muito na área da saúde. De facto, o que sucessivamente mostram os diferentes estudos e também a opinião dos profissionais é que há possibilidades concretas de melhoria de combate ao desperdício”, declarou. Referindo que existem ainda muitos desperdícios que devem ser combatidos. Paulo Macedo afirmou que a saúde será “talvez uma das áreas em que Portugal mais progrediu em 30 anos” e que há uma “maior procura de cuidados no SNS, desde logo pelo envelhecimento da população”, mas também pelas “pessoas que não vão apenas tratar da doença, mas que vão tratar da sua saúde”. Depois de reconhecer que Portugal “tem uma rede de serviços que não é homogénea em todo o País”, adiantou que há “a necessidade de reestruturar o sistema de saúde”. Sobre o orçamento do SNS, Paulo Macedo afirmou “que depois de um pico em 2009”, este “tem vindo a descer”, designadamente com os compromissos assumidos por Portugal em relação à redução do défice.
2. Entretando cerca de 500 profissionais de saúde portugueses estão dispostos a rumar a França e mudar de vida, de acordo com as candidaturas recebidas pela Arrime (associação para a procura e instalação de médicos europeus). Esta associação de recrutamento esteve em Portugal à procura de médicos e técnicos de saúde que queiram um posto de trabalho em França. O recrutamento já decorreu e Sophie Leroy, da associação, mostrou-se surpreendida com a quantidade de jovens recém-licenciados nas profissões paramédicas que apareceu para o recrutamento. “A realidade é que há jovens desempregados que precisam de trabalhar”, diz, e que se mostram receptivos à ideia de emigrar. Em França, a má distribuição geográfica dos profissionais de saúde e a carência de algumas especialidades aumentam a procura de profissionais noutros países. Os especialistas de nefrologia, anestesiologia, radiologia, cardiologia, neurologia, gastrenterologia, psiquiatria e pediatria são os mais requisitados pelos serviços franceses. O recrutamento é feito para os sectores público e privado, sendo que no público a grelha salarial francesa está dividida em 13 escalões. Os médicos portugueses são colocados directamente no 4º escalão, recebendo um rendimento mensal de 3900 euros “líquidos”. Afinal existem oportunidades na Europa, e não apenas para África como diz um Ministro Miguel Relvas.
3. Os doentes em espera cirúrgica aumentaram de 161 para 174 mil (mais treze mil) no 1.º semestre de 2011, invertendo a tendência de recuperação das listas de espera registada nos últimos anos. Se tivermos em atenção que a produção cirúrgica dos hospitais está em queda livre (menos 42 mil cirurgias realizadas em Set-Nov 2011) temos evidência dos que nos espera com esta política de cortes a eito da troika e do ministro Paulo Macedo (mais papista que a troika): A destruição do acesso dos portugueses aos cuidados de saúde. Eventualmente, o ministro da saúde espera que a última subida brutal das taxas moderadoras afaste muitos doentes das consultas dos CSP e dos HHs, reduzindo, desta forma, os doentes com indicação cirúrgica e, por conseguinte, a pressão dos novos casos sobre as listas de espera .
E, logo, os portugueses passando a morrer mais cedo, as listas de espera compõem-se. É como quem manda emigrar os portugueses mais jovens.
Tudo a bem do equilíbrio das contas do Estado e da política da senhora Merkel.
Sinais dos tempos em que vivemos...
in Tribuna Pacense a 27.01.2012
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