sexta-feira, 25 de novembro de 2011

TROIKA na Saúde

O Ministério da Saúde não confirma a existência de negociações com a troika sobre uma possível injecção de dinheiro nos hospitais para estes saldarem a dívida que têm com fornecedores. Ainda assim, em declarações ao PÚBLICO, fonte do Ministério da Saúde garante que o atraso dos hospitais nos pagamentos a fornecedores é um problema premente para a tutela e assume que a solução passe por consignar uma verba para este propósito.
A mesma fonte concretizou que qualquer verba adjudicada aos hospitais que venha da troika terá de passar pelo Ministério das Finanças. O PÚBLICO tentou ouvir o Ministério das Finanças, até ao momento sem sucesso.

Na edição desta sexta-feira, o Diário Económico avança que os ministérios da Saúde e das Finanças estão em negociações com a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) para injectar 1600 milhões de euros no sistema de saúde e garantir aos hospitais EPE (Entidade Pública Empresarial) uma nova margem de pagamento junto dos fornecedores para evitar um colapso em Janeiro.

Contactado pelo PÚBLICO, o Ministério da Saúde não confirma verbas nem prazos, mas reforça que a dívida total a fornecedores atingirá “o valor incomportável” de 3000 milhões de euros no final do ano, pelo que o ministério de Paulo Macedo está ciente de que é necessária uma solução rápida para o problema.

Em Outubro, a dívida dos hospitais só à indústria farmacêutica ultrapassava já os 1300 milhões de euros, com uma demora média de pagamento de 450 dias. As farmacêuticas já fizeram saber que no próximo ano só fornecem medicamentos a pronto pagamento.

Ontem o PÚBLICO avançou que os hospitais com dívidas estão a ser forçados a cumprir novas regras para continuar a receber medicamentos dos laboratórios. Entre outras condições, as empresas farmacêuticas exigem que seja fixado um plano de pagamento a prestações da dívida ou só admitem fornecer uma nova remessa de medicamentos quando a factura anterior estiver saldada.

Pelo menos três laboratórios assumiram esta semana publicamente a adopção de medidas deste tipo, mas o PÚBLICO sabe que há mais empresas a mudar a política de crédito. O Governo promete apresentar um calendário de regularização de dívidas a fornecedores até ao final do ano, mas, enquanto isso, o problema agrava-se.

A questão é que nos 78 mil milhões de euros de ajuda financeira que Portugal acertou com a troika não está incluído qualquer orçamento para as empresas públicas, como é o caso dos hospitais EPE. Aliás, o mesmo jornal afirma que a injecção de capital teria como possível contrapartida o encerramento ou a fusão a curto prazo de algumas unidades hospitalares – o que vai em linha com algumas das propostas do grupo técnico para a Reforma Hospitalar , que foram esta semana apresentadas. Mas o grupo também recomenda o avanço de alguns hospitais novos, ao contrário do que defende a troika .
in Público a 25.11.2011

Afinal os hospitais bateram mesmo no fundo do tacho......  rapadinho....
O que seria de nós sem a Troika!

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