segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ex-ministro acusa Governo de criar “clima angustiante” aos portugueses - Renascença

Ex-ministro acusa Governo de criar “clima angustiante” aos portugueses - Renascença

É muito crítica a tomada de posição do ex-ministro e presidente da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES), Luís Campos e Cunha, sobre as medidas adoptadas pelo Governo.

“Não há uma coerência nas políticas, não há uma estratégia e, portanto, as medidas são soltas e isso cria uma grande incerteza para o futuro”, afirma à Renascença.

“As alterações aos impostos contam-se pelas dezenas. Não tem a mínima ideia de quanto vai pagar de IMI ou de IRC, de IRS ou IVA. Tudo isso cria um clima de incerteza que é angustiante para o cidadão, cria infelicidade e mal-estar e, além disso, prejudica o investimento”, acusa o antigo ministro de José Sócrates.

As críticas constam num documento da SEDES, onde também se fala da ausência de reforma na Segurança Social. Luís Campos e Cunha diz que os cortes anunciados nas pensões nada têm a ver com a sustentabilidade do sistema, mas apenas com questões de equilíbrio orçamental.

Numa tomada de posição divulgada no seu site, a SEDES defende ainda que a ideia de que o Estado está falido e que tudo é aceitável é "um erro grave".

"O acordo com a 'troika' fez-se exactamente para evitar essa falência", argumenta a associação, acrescentando que, embora não seja perfeito, o acordo "evitou o pior".

O documento salienta também que "a incerteza e a violação do Estado de Direito" têm afundado mais a economia do que a austeridade. Através de “erros de comunicação, políticas erráticas e decisões fora de tempo, criou-se uma incerteza absolutamente desnecessária e um ambiente de desconfiança em relação ao Estado de Direito incompatível com a recuperação da economia, do investimento e do emprego. Ninguém confia em quase nada que seja prometido pelo Governo", critica a SEDES.

Exemplo disto é o que tem sido anunciado sobre as pensões e as reformas: "o Governo descredibilizou e retirou certeza jurídica ao sistema de pensões sem proceder a qualquer reforma visível", critica a associação, segundo a qual a ideia de que o sistema de pensões deve promover a redistribuição do rendimento é errada – ela deve ser feita, primeiro, por via do IRS, tributando os rendimentos mais altos, e segundo, através do apoio às famílias mais carenciadas.

"Nesta visão em que o sistema de pensões é um contrato entre o Estado e o Cidadão (contrato, aliás, imposto unilateralmente pelo Estado), não se entende a campanha sobre uma suposta insustentabilidade do sistema, pois essa mesma exigência se poderia aplicar às PPP [parcerias publico-privadas] rodoviárias ou aos apoios a energias renováveis, por exemplo, que são contratos muito mais susceptíveis de serem postos em causa", prossegue o documento.

A diferença, explica a SEDES, é que nestes casos o Estado terá de enfrentar em tribunal "empresas fortes, apoiadas em bons advogados e com tempo para esperar", enquanto no caso das pensões "tem pela frente pessoas frágeis e que já não têm o tempo necessário para esperar por decisões tardias de tribunais"

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Promiscuidade Público/Privado

Auditoria identifica médicos em "situação de conflito de interesses"

O Tribunal de Contas identificou médicos que encaminhavam crianças da Maternidade Alfredo da Costa para serem operadas no Hospital da Cruz Vermelha, onde também trabalhavam, o que representa uma "situação de conflito de interesses".

O caso é relatado numa auditoria de seguimento das recomendações do Tribunal de Contas à execução do acordo de cooperação entre a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e a sociedade que explora o Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa (HCV).

O Tribunal recorda que os utentes da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) que necessitavam eram previamente observados, na MAC, por "especialistas de cardiologia pediátrica, em regime de prestação de serviços".

"Estes especialistas averiguavam a necessidade de correção cirúrgica ou de internamento específico num serviço de cardiologia pediátrica", inexistente na MAC.

Estes contratos de prestação de serviços, "ao abrigo dos quais aqueles especialistas exerciam funções na MAC, foram celebrados entre esta e a MPM - Consultadoria e Gestão" e "o seu período de vigência decorreu entre maio de 2009 e dezembro de 2011".

"O representante legal da MPM - Consultadoria e Gestão, que assinou o contrato de prestação de serviços é acionista, presidente da Comissão Executiva e diretor clínico da CVP -Sociedade de Gestão Hospitalar [que gere o HCV], além de integrar o corpo clínico desta sociedade", lê-se no documento.

Segundo o Tribunal, "também especialistas de cardiologia pediátrica que asseguraram a prestação de serviços da MPM integram o corpo clínico da CVP, tendo intervindo, na MAC, em procedimentos de referenciação em que estão em causa interesses da sociedade de gestão".

"Trata-se de uma situação de conflito de interesses que, além de ser suscetível de comprometer a isenção e o rigor do processo de referenciação dos utentes, viola o estabelecido nos acordos de cooperação relativamente aos recursos humanos da CVP - Sociedade de Gestão Hospitalar que impedem o exercício simultâneo de atividades em estabelecimentos do SNS".

O Tribunal verificou ainda que, entre 2009 e 2011, "continuaram a existir referenciações de utentes pelo Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), no âmbito dos acordos de cooperação, com a participação de outro médico especialista, em regime de prestação de serviços, que exerce atividade simultânea" no Hospital da Cruz Vermelha.

Nesses anos, prossegue o Tribunal confirmou-se "a presença de outros dois prestadores de serviços no Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca na mesma situação de exercício simultâneo de atividade neste hospital e no Hospital" da Cruz Vermelha, em "violação dos acordos de cooperação, embora não tenham sido identificados como intervenientes nos processos de referenciação".

Hospitais públicos (MAC, Amadora-Sintra) e um privado com participação do Estado (CVM) e uma empresa privada de contratação de consultoria e gestão (MPM) cujo representante legal é acionista, presidente da Comissão Executiva e diretor clínico da CVP -Sociedade de Gestão Hospitalar [que gere o HCV], além de integrar o corpo clínico desta sociedade & médicos público/privados.

Uma autêntica mixórdia de interesses. Dito de outra forma, a promiscuidade público/privado ao seu melhor nível!

Novo hospital de Lisboa outra vez na calha mas com novo contrato - Renascença

Novo hospital de Lisboa outra vez na calha mas com novo contrato - Renascença

O Governo relança a construção do novo Hospital Oriental de Lisboa, mas com novo contrato. A poupança estimada chega aos 166 milhões de euros.

A notícia é avançada na edição desta quinta-feira do “Jornal de Negócios”, segundo o qual os Ministérios da Saúde e das Finanças vão anular o actual concurso para a construção do novo hospital, em parceria público privada, e lançar um novo procedimento.

Em Março, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, avisava que o hospital iria ser construído mas não a todo o custo. Foi nessa altura que deu posse à comissão de avaliação que, durante os últimos setes meses, analisou os prós e contras da construção desta unidade de saúde.

Foi nas recomendações da comissão que o executivo se baseou para a actual decisão. O relatório apontava risco para o Estado, mas ao mesmo tempo recomendava o desenvolvimento do projecto.

Assim sendo, o processo será relançado, mas noutros moldes e mais barato para o Estado português. Para trás fica a decisão que dava à Soares da Costa autorização para construir o novo hospital, mais conhecido por “Todos-os-Santos”, e que vai concentrar seis hospitais da capital.

Ainda de acordo com a notícia, o Banco Europeu de Investimento (BEI) mantém-se interessado na execução do projecto.

O custo total para a construção do novo hospital é de 600 milhões de euros. Deve estar pronto em 2017 e é considerado um dos pontos-chave para se conseguir a reorganização da rede hospitalar de Lisboa.

Será?

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

“Autocarro solidário” em tese de mestrado - Renascença


Quando se pensa numa tese de mestrado, a ideia que surge é de um “calhamaço” de papel ou, nos tempos actuais, uma "pen-drive" repleta de gráficos. Mas a Renascença encontrou um projecto de tese diferente: um autocarro reciclado, que ajuda os sem-abrigo de Lisboa.

Integrado na disciplina de Design para a Sustentabilidade do IADE, André Silva decidiu inovar e converter um autocarro numa unidade de apoio ambulante.

“Será organizado em três zonas principais: uma primeira, que tem duas unidades de duche; uma segunda, com uma zona para troca de roupa e uma terceira, dedicada ao apoio psicológico e também a uma zona onde se pode despistar alguma doença”, explica Carlos Barbosa, coordenador do núcleo de Design para a Sustentabilidade.

Perante o pedido do aluno, a empresa de autocarros públicos de Lisboa (Carris) “mostrou abertura”, mas “não há nenhum compromisso ainda”.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a associação Cais e a Comunidade Vida e Paz também já mostraram interesse em apoiar o projecto.

O coordenador espera que o aluno “tire boa nota” com o projecto, até “porque a mediatização que tem tido revela que é algo que vem ao encontro de uma necessidade real”, sustenta Carlos Barbosa.

A verdade é que os números do ano passado mostram que existem, em Lisboa, cerca de dois mil sem-abrigo.

Uma vez pronto, o autocarro, que também vai ser eco-eficiente, começa a ser testado na capital, daqui a seis meses.

Ministro Poiares Maduro está de passagem. "Nós somos Misericórdias há 500 anos" - Renascença

Ministro Poiares Maduro está de passagem. "Nós somos Misericórdias há 500 anos" - Renascença


O ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro, está de costas voltadas para as instituições de solidariedade social, acusa o presidente da União das Misericórdias em entrevista ao programa “Terça à Noite” da Renascença.
Manuel Lemos diz que, apesar de 20% do novo quadro comunitário de apoio ser destinado à economia social, o sector está afastado do processo.
“Ouvi dizer que foi criada uma comissão de sábios para acompanhar o novo quadro comunitário de apoio, então e não está ninguém do sector social lá? Então o doutor Poiares Maduro quando olha para o sector social, não tem olho para olhar?”, pergunta o presidente da União das Misericórdias.
Manuel Lemos vai mais longe nas referências ao incómodo instalado entre as Misericórdias e Poiares Maduro e diz que o ministro nunca procurou as instituições sociais. “Não lhe deve interessar, nós estamos cá, existimos e não somos nós que temos que ir falar com ele, nós cooperamos com o Estado.” 
Manuel Lemos adianta: “a iniciativa pertence ao Estado e ele se quiser que venha falar connosco, não somos nós que temos que ir falar com ele [Poiares Maduro], se ele está à espera disso vai ter que esperar sentado, porque em pé vai-se cansar. Nós estamos cá há 500 anos, ele vai passar. Ele está ministro, nós somos as Misericórdias”.
Nesta entrevista ao programa “Terça à Noite” da Renascença, Manuel Lemos manifestou preocupação com o futuro da coesão social em Portugal, mas garante que as Misericórdias manterão todo o apoio à população mais carenciada.
O presidente das Misericórdias deixou ainda críticas ao ministro da Saúde pelos “incumprimentos” em matéria de cuidados continuados, embora reconheça que “Paulo Macedo tem feito um percurso que lhe dá confiança” de que o processo de devolução de hospitais às Misericórdias, que deverá iniciar-se já no final deste ano, “correrá bem”.


Governo diz que quer ouvir todos
Esta quarta-feira de manhã, o gabinete do ministro Miguel Poiares Maduro enviou um esclarecimento à Renascença, no qual afirma que o governante tem estado a receber representantes de diferentes sectores sociais, que manifestaram interesse em ser ouvidos. Acrescenta que o Governo tem previsto ouvir responsáveis das diferentes áreas de intervenção.

"O comité de especialistas é composto apenas por especialistas nos próprios fundos e não por beneficiários das áreas de intervenção dos fundos. Há ainda bastante tempo para ouvir estes últimos, atendendo ao facto de os primeiros financiamentos apenas virem a ser dados no segundo semestre de 2014 (mesmo sendo muito mais cedo do que no quadro anterior, que demorou dois anos). Em qualquer caso, o Governo tem previsto ouvir responsáveis e agentes nas diferentes áreas de intervenção dos fundos e uma das áreas é a Economia Social, que contará com um importante reforço de verbas", lê-se no esclarecimento escrito.

"Além disso, o Governo tem vindo a receber todos os representantes de diferentes sectores sociais que manifestaram interesse em ser recebidos desde já, sendo que nunca chegou a este gabinete qualquer solicitação nesse sentido do presidente da União das Misericórdias", finaliza.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Hospitais avisam. Menos 250 milhões significa menos qualidade - Renascença

Hospitais avisam. Menos 250 milhões significa menos qualidade - Renascença

Administradores hospitalares mostram-se apreensivos face a mais um corte na saúde
“Avizinha-se um ano de 2014 muito complicado na área da saúde”, avisa a Associação de Administradores Hospitalares. Os hospitais de maior dimensão devem ser os mais penalizados.












Os administradores hospitalares alertam para a quebra de qualidade no atendimento dos hospitais, devido à acumulação de cortes no sector da saúde, prevista no Orçamento do Estado para o próximo ano.

“A redução anunciada para o ano 2014 vem somar-se já a reduções que vêm sido feitas ao longo do último triénio. Não é, portanto, a capacidade dos hospitais de assimilar as reduções para 2014, mas sim a das consecutivas reduções que as despesas em saúde têm sofrido”, explica a dirigente da Associação de Administradores Hospitalares Marta Temido.

“Não é possível continuar a acomodar cortes sem que se prescinda de alguma coisa”, sublinha nas suas declarações à Renascença.

O sector da saúde vai ter de cortar mais de 250 milhões de euros na despesa em 2014. Trata-se de um corte de quase 4% no orçamento previsto para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Marta Temido considera que os hospitais de maior dimensão vão ter mais dificuldades, dado que as estruturas mais pequenas podem “encaminhar os doentes para outras instituições”.

“Avizinha-se um ano de 2014 muito complicado na área da saúde”, prevê.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Diploma que define articulação entre Ministério da Saúde e IPSS publicado em DR



A legislação que define as formas de articulação do Ministério da Saúde e do Serviço Nacional de Saúde com as instituições particulares de solidariedade social e a devolução dos hospitais às Misericórdias foi publicada esta quarta-feira em Diário da República, avança o semanário SOL, citando a agência Lusa.

Os hospitais das misericórdias, que foram integrados no sector público e são actualmente geridos por estabelecimentos ou serviços do SNS, podem ser devolvidos às instituições mediante a celebração de um acordo de cooperação com um prazo de 10 anos.

Os acordos com as IPSS devem ser precedidos de um estudo que demonstre que os encargos globais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) diminuem em, pelo menos, 25% relativamente à alternativa de prestação de serviços pelo sector público, sendo a valorização da produção a realizar de acordo com o modelo de financiamento aplicável aos hospitais E.P.E, refere o decreto-lei.

Em Agosto, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, avançou que deverá entregar a gestão de três ou quatro hospitais públicos a Misericórdias em Janeiro de 2014, no âmbito de contratos para dez anos.

O processo de devolução é monitorizado por uma comissão de acompanhamento constituída por um representante designado pelo Governo, por representantes das Administrações Regionais de Saúde (ARS) onde existam unidades a devolver e da União das Misericórdias.

As Misericórdias devem manter ao seu serviço o pessoal afecto às unidades de saúde.

No diploma, o Ministério da Saúde refere que as "inúmeras alterações" ocorridas na organização e gestão do SNS, "a par de evoluções significativas das entidades de solidariedade social", tornam necessário "estabelecer um modelo de partilha mais efectiva de responsabilidades entre os vários intervenientes".

Este modelo deve ser alicerçado na "definição e implementação de regras claras e procedimentos de controlo eficazes que garantam o acesso, em tempo útil, dos utentes do SNS aos cuidados de saúde clinicamente adequados, com qualidade e segurança".

O diploma prevê três formas de cooperação com as IPSS - acordos de gestão, de cooperação e convenções - que intervêm na actividade do SNS.

Estes acordos devem ser precedidos de um estudo, a efectuar pela ARS ou pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), que "avalie a economia, eficácia e eficiência do acordo, bem como a sua sustentabilidade financeira".

A tabela de preços a aplicar aos acordos é aprovada pelo ministro, tendo por referência as tabelas de preços estabelecidas para os hospitais do SNS.

Cabe às IPSS "prestar cuidados de saúde de qualidade aos utentes do SNS, em tempo útil, nas melhores condições de atendimento, não estabelecendo qualquer tipo de discriminação".

Serão as ARS que irão "avaliar, de forma sistemática, a qualidade e acessibilidade dos cuidados prestados pelas IPSS".