Ministério da Saúde prepara-se para contratar 2,5 milhões de horas!!! a tarefeiros ao mais baixo preço.
O governo, através da central de compras do Ministério da Saúde, abriu um concurso para contratar “médicos em pacote” e através de empresas de aluguer de médicos à hora, em todo o país e para diversas especialidades, tendo como único critério de seleção "o mais baixo preço unitário por hora". O que não é novo dentro do nosso SNS, o que tem de novidade é que esta medida em vez de supletiva, ou seja, apenas recorriam a ela administrações hospitalares para suprirem necessidades pontuais de serviços, nomeadamente para o serviço de urgência, é abrangente e para todo o território.
O MS não abre concursos de recrutamento para qualquer Unidade do SNS preferindo que os médicos, e outros profissionais, mais novos emigrem, aceitem vencimentos aviltantes ou caiam nas mãos indiferentes de empresas de prestação de serviços médicos, transformando-os em pacotes de horas e em lotes de concursos públicos ao nível do papel higiénico e da algália. Não destingue um Assistente, um Assistente Graduado ou um Assistente Graduado Sénior. Ainda nem percebeu muito bem para que serve um concurso ao Grau de Consultor. O MS quer médicos que produzam 5 consultas por hora, que operem olhando para a ampulheta, que ignorem a formação dos mais novos e dos futuros especialistas. Quer que os médicos trabalhem no SNS em outsourcing, desligados de qualquer hierarquia técnica, de qualquer carreira, de qualquer responsabilidade formativa, de qualquer incentivo ao trabalho em equipa. Promovendo desta forma um mau serviço, um serviço sem perspectiva nem qualidade. Que reduz o doente a uma mera quantidade, um numero, um pacote de horas....Serviços inteiros de várias especialidades, poderão passarem para empresas privadas de aluguer de mão-de-obra médica!! O governo mostra de forma muito evidente que pretende enveredar por uma via de privatização dos serviços de saúde, desarticulando-os e fazendo de cada instituição pública de saúde uma “manta de retalhos” com várias empresas a deterem diferentes serviços e em clara competição financeira entre elas. O governo reduz toda a actividade assistencial dos serviços públicos de saúde a uma lógica taylorista de trabalho médico cronometrado e destinada aqueles cujo diferenciação técnico-científica é diminuta.
Esta forma de contratação dos recursos humanos mais valiosos na cadeia de prestação de cuidados de saúde dissipou qualquer duvida que houvesse quanto ´as intenções do MS em relação ao SNS. Depois disto não há mais margem para contemporizações, há que reagir à agressão com celeridade e com a mesma veemência.
Entretanto, mais de mil estudantes de medicina concentraram-se em frente ao ministério da Saúde em protesto contra a falta de vagas para o internato médico, fundamental para exercerem a profissão. Segundo a Lusa, os estudantes vestiam batas brancas e ostentavam ao peito “senhas de espera”. O problema surge porque a capacidade do internato médico é apenas de 1.500 vagas, enquanto que o número de licenciados chega aos dois mil em cada um dos próximos anos. Manuel Abecassis, presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), diz que “são diplomados em medicina, que não vão poder terminar a formação”, acrescentando que “muitos, se calhar, vão ter que completar o curso lá fora, nos países onde isso é possível”.
- Assim caminhamos alegremente para um caos nas instituições de saúde...

Subscrevo e espero que a opinião pública se consciencialize disto também, deixando de ver a saúde como uma área privilegiada e passando a ver o grande risco que corre, para que o Governo olhe para o problema que está a criar e se digne alterar a actual política de saúde.
ResponderEliminarDe há uns tempos para cá a estratégia tem sido "dividir para conquistar". Pôr a opinião pública contra as várias classes profissionais, sucessivamente, para levar a bom porto os ataques a cada uma, e está na altura de parar.