sexta-feira, 2 de julho de 2010

Política de Saúde à Portuga

Assistem-se nestes últimos tempos a episódios caricatos na Saúde, em estilo zig zag., senão atentemos a estes episódios:

Num primeiro momento a ARS de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) comunica ao Setubalenses que ficariam privados das urgência pediátricas durante o verão nos períodos das 0 horas ás 9h da manhã. Dias depois dá o dito pelo não dito, apresentando os argumentos de que no outro momento não dispunha. Onde está a responsabilidade dos dirigentes que assumem estes erros? Ou neste momento da vida pública vale tudo?

No INEM anuncia-se o corte na aquisição de helicópteros e no atendimento especializado por psicólogos nos CODUs. E as populações que aceitaram fechar os seus serviços de atendimento permanente mas que em contra partida teriam uma rede de cuidados de emergência pré-hospitalar funcionante e com cobertura territorial? Como ficam?! Isoladas e sem cuidados de saúde! Daqui a dias o Ministério da Saúde poderá informar que as coisas não são bem assim contrapondo as acções da direcção do INEM ou até anunciando uma qualquer compensação.

Assim vai a nossa Política de Saúde, sem um rumo determinado, ao sabor das pressões das corporações e da dita crise. Sem uma linha orientadora, ora uma acção aqui outra ali, uma outra acoli... Como se vivesse noutra galáxia o Ministério da Saúde deambula, incompreensível e erraticamente, a reboque dos acontecimentos e das notícias... Ora manda cortar nos toalhetes, ora decide aumentar os enfermeiros, ora manda fechar urgências pediátricas, ora decide aumentar os médicos, ora decide abrir novamente urgências pediátricas, ora manda cortar nos medicamentos nos hospitais, ora derrete milhões por erros informáticos nas farmácias e nos medicamentos gratuitos a rodos, ora manda cortar nas horas extraordinárias, ora continua a não cortar nas centenas de viagens ao estrangeiro feitas pelos centenas de dirigentes (Autoridade Central do Sistema de Saúde, ARS, INEM, Instituto da Droga, etc ,etc…).

Subitamente verifica-se - por inúmeras declarações públicas - que quase todos os Concelhos de Administração dos hospitais, tinham na manga planos de contingência contra o desperdício.

Na verdade, segundo foi tornado público, os prejuízos dos hospitais com gestão empresarial, em 2009 dispararam para 295 milhões de euros, um aumento de 40% em relação a 2008.

Tal descontrolo deveria ter ditado outras consequências: Não chega obrigar os Concelhos de Administração a medidas de combate ao desperdício..., algumas delas a roçar o ridículo.

O plano de poupança do Ministério da Saúde, endossado aos hospitais com carácter de urgente, dificilmente responde à gravidade da crise financeira dos mesmos, para não falar de coisas mais genéricas como seja a sustentabilidade global do SNS.

Muito menos as medidas de contenção doméstica, avulsas, que múltiplos hospitais dizem já ter planeado, numa espécie de desenfreada competição interna, do tipo infantil “as minhas são melhores do que as tuas...”, cujas consequências podem ser dramáticas em termos de eficiência... e da qualidade dos serviços a prestar aos utentes.

Se acaso entrarmos pela via da luta pela sobrevivência - a todo o custo e a qualquer preço - dos actuais hospitais em flagrante descontrolo da situação financeira, melhor seria , para preservar os utentes e as instituições do SNS, começar pelo racional, i.e., remodelar profundamente os Concelhos de administração dos hospitais, repensar o modelo de gestão empresarial e de governação clínica que, ao longo do tempo, se mostrou tão ineficiente e tão pouco ágil...

Este seria o momento oportuno para lançar medidas e reformas de fundo que fortalecessem o nosso SNS, garantindo-lhe sustentabilidade como estão a fazer por exemplo os ingleses com o seu sistema de saúde (NHS).

in Tribuna Pacense a 02.07.2010

Sem comentários:

Enviar um comentário