Nesta edição iniciarei a abordagem de uma área clínica transversal a todas as especialidades médicas e com a qual a grande maioria (se não mesmo todos nós) já contactamos com ela, a Imagiologia.
A radiação utilizada em diagnóstico médico não foi inventada, mas sim descoberta e de um modo acidental. Durante as décadas de 1870 e 1880, vários laboratórios de física, em várias universidades, investigavam os electrões, na altura chamados raios catódicos, através de enormes tubos de vidro, semelhantes às actuais lâmpadas, dentro das quais existia um gás rarefeito que imitia o vácuo (mas aceitável para a época). Eram os chamados tubos de Crookes, em homenagem ao seu inventor Sir William Crookes. Na época existiam vários tipos de tubos de Crookes e a maioria produzia radiação X, a qual não era detectada ou registada.
Em meados de Novembro de 1895, Conrad Roëntgen, trabalhava no seu laboratório da Universidade de Wurzburg na Alemanha, com um tubo de Crookes, quando por casualidade verificou que uma placa com uma substância fluorescente que se encontrava perto do tubo, emitia uma pequena luz, que aumentava quando a aproximava do tubo . Permitiu assim, não ter dúvidas quanto à origem da luz – provinha do tubo de Crookes. Roëntgen começou então a investigar esta luz que denominou de “X”, interpondo entre a fonte e a placa fluorescente vários materiais diferentes (madeira, alumínio, mão, ...).
Durante vários meses investigou essa luz X, descobrindo quase todas as propriedades físicas conhecidas até hoje. Publicou os seus trabalhos em 1897 e recebeu posteriormente o Prémio Nobel da Física em 1901.
Desde então até aos nossos dias existem alguns marcos importantes, em 1913 William Coolidge concebe uma variante do tubo de Crookes que ainda hoje (com os devidos aperfeiçoamentos) se usa comumente, as denominadas ampolas de raio X. Com o aparecimento do televisor, na década de 50 de século passado, a fluoroscopia inicia os seus passos na Radiologia. Hoje em dia, a fluoroscopia é amplamente aplicada com um intensificador digital de imagem acoplado. Com o aparecimento dos computadores e a sua aplicação á medicina, também a Radiologia deu um salto gigantesco, em 1966 desenvolvia-se o primeiro Ecógrafo, em 1973 o primeiro Tomógrafo Computadorizado, vulgo TAC. Em 1979 introduz-se a Fluoroscopia Digital, em 80 desenvolve-se a 1ª Ressonância Magnética. Nos anos 90 as aplicações digitais são incorporadas em massa nos sistemas médicos de imagem, com vantagens de redução de dose absorvida pelo doente e menor quantidades de químicos excedentários produzidos para a revelação das películas.
Na década de 90 as técnicas de obtenção de imagem do corpo humano por incorporarem meios que já não têm apenas a radiação x como fonte, é o caso da ecografia que usa as propriedades das ondas sonoras e da Ressonância Magnética, que usa as ondas de rádio, denomina-se agora de Imagiologia em detrimento da clássica Radiologia.
Englobado na Imagiologia teremos então múltiplas modalidades:
Radiologia convencional (rx tórax, ombro, coluna, ortopantomografia, etc)
Radiologia contrastada (clister opaco, trânsito gastro duodenal, urografia endovenosa, etc)
Radiologia Intervenção (biopsias, colocação de arpões, etc)
Mamografia
Densitometria Óssea
Ecografia
Tomografia Computadorizada (TC)
Angiografia
Ressonância Magnética (RM)
O clínico prescritor de um qualquer exame, deve orientar o seu pedido de modo a evitar exposições desnecessárias, que só prejudicam os doentes, e gastos desnecessários, que só aumentam a despesa na saúde. Os dados imagiológicos não devem ser o centro da avaliação do doente, mas sim coadjuvar os dados clínicos. E manda o bom senso que se inicie, na maioria dos casos, o estudo por técnicas menos invasivas e de menor custos e mais acessíveis aos doentes.
A Imagiologia é um Meio Complementar de Diagnóstico e Terapêutica composto por profissionais altamente especializados, nomeadamente Médicos Radiologistas e Neurorradiologista e Técnicos Superiores de Radiologia que em equipe obtêm diagnósticos e nalguns casos efectuam actos terapêuticos, para quem deles se socorra.
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